OPINIÃO
08/09/2014 18:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Cuidado ao compartilhar. Pode ser uma mentira

Diz um velho ditado que a mentira tem perna curta. Porém, numa época tão veloz como a nossa, as pernas da mentira podem até ser curtas, mas ela quase sempre está a bordo de um concorde (um dos aviões mais rápidos do mundo).

Patricia Santos/Folha Imagem

Meses atrás, uma amiga compartilhou, no Facebook, uma imagem na qual constavam, sorridentes, nosso ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Hugo Chávez (então presidente da Venezuela) e Fidel Castro (então "presidente" de Cuba). Como legenda, a acusação de que quem estava na imagem era, na verdade, o também ex-presidente Lula, e que petistas haviam feito uma montagem para macular a reputação de FHC.

Achei aquela acusação um tanto estranha. "Lula" vestia uma calça social bege e uma camisa listrada, listras finas e verticais, brancas e azuis, um figurino que nosso ex-presidente não costuma utilizar. Fiz uma rápida busca no Google e logo descobri o motivo da estranheza: a foto era verdadeira. Ou seja: Fernando Henrique Cardoso estava mesmo naquele registro fotográfico, com Chávez e Fidel. A imagem data de 2001, fim de seu segundo mandato como presidente.

Expliquei isso para a minha amiga e, logo depois, ela pediu desculpas públicas pelo compartilhamento equivocado e deletou a publicação.

Casos como esse acontecem todos os dias no Facebook, no Twitter, em sites, blogs e outras redes sociais. Pessoas compartilham notícias, imagens e textos que, muitas vezes, não são realmente o que dizem ser. São crônicas assinadas por Arnaldo Jabor, Luis Fernando Verissimo, Clarice Lispector, mas que eles não escreveram; imagens montadas com o intuito de prejudicar alguma personalidade; notícias distorcidas - ou inventadas - para prejudicar políticos (como se a maioria deles precisasse disso...).

A velocidade dos compartilhamentos é enorme, e em poucas horas - ou minutos - uma notícia falsa pode correr o mundo e causar uma boa confusão. Volta e meia aparece o boato de que algum artista muito famoso morreu. Uma das últimas vítimas dessa brincadeira de mau gosto foi o ator norte-americano Tobey Maguire, conhecido por interpretar o Homem-Aranha nos cinemas. Se o internauta não ligar o desconfiômetro e não tiver o cuidado de checar bem o "fato", pode ser facilmente enganado.

Essa proliferação de boatos e mentiras pela internet acontece o tempo inteiro. Mas, em época de eleição, isso se torna mais constante e mais perigoso. O jogo sujo entre as campanhas rola solto, e como boa parte dos eleitores se comporta como torcedores, não há a menor preocupação em se analisar criticamente o que foi "noticiado". Se a publicação é favorável ao seu candidato - ou, melhor ainda, se é contra algum outro candidato -, as únicas atitudes possíveis se resumem a dois cliques: curtir e compartilhar (no Facebook; favoritar e retuitar, no Twitter). Não há a menor preocupação em saber o que há de verdade ou mentira no que se está passando adiante.

"São necessários 20 anos para construir uma reputação, e apenas cinco minutos para destruí-la", diz uma frase atribuída a Warren Buffett, empresário e investidor norte-americano. Quando alguém espalha uma notícia falsa, por mais que não esteja agindo de má-fé, por mais que esteja apenas "compartilhando" um link que surgiu na tela de seu computador, esse alguém é corresponsável por todo o prejuízo que a divulgação dessa notícia possa trazer ao(s) "acusado(s)".

Diz um velho ditado que a mentira tem perna curta. Porém, numa época tão veloz como a nossa, as pernas da mentira podem até ser curtas, mas ela quase sempre está a bordo de um concorde (um dos aviões mais rápidos do mundo).

Por isso, fica a dica: confirme a veracidade do que você pretende compartilhar. E, na dúvida, não compartilhe. Por mais que pareça verdade.

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