OPINIÃO
30/05/2018 10:56 -03 | Atualizado 30/05/2018 11:43 -03

Eu não voto em Luiz Inácio Lula da Silva e em Jair Bolsonaro

Sou contra o estímulo a guerra de palavras e promoção de dicotomias, como se a vida fosse uma eterna disputa pela aniquilação do intelecto alheio.

Montagem/Getty
Articulista do HuffPost rejeita votar em Lula e Bolsonaro, líderes nas pesquisas de intenção de voto

Sou contra a condução da esperança coletiva em ciclos intermitentes de frases fortes e clichês. Sou contra a idolatria personificada, que leva a exaltações de um herói ou mito, tão rasos quanto o ideal que exalam pelo combustível do ódio, na construção de um personagem.

Sou contra a negação permanente de responsabilidade e a síndrome de vitimismo Lula, que buscam blindar um agente público, a qualquer custo, de seus mais básicos compromissos de dignidade, honestidade, preciosismo e cuidado na gestão pública.

Sou contra o surgimento de discursos pautados no populismo às avessas JairBolsonaro, quando palavras se sobrepõem à efetividade de suas ações práticas, ao longo de 3 décadas de vida pública, que totalizam somente 2 projetos aprovados. Isso é incompatível com qualquer eficiência mínima de um ator social em posição de tamanha relevância para a sociedade.

Sou contra os que fogem às responsabilidades de seus erros e apontam o outro, Lula, como escudo para suas falhas, sejam elas nas atribuições do Executivo, sejam elas em lacunas de caráter.

Sou contra, Bolsonaro, os que dizem, no exercício de uma função pública e com um mandato que deveria sustentar a harmonia entre os distintos segmentos sociais, que preferem um filho morto em acidente a um filho homossexual, ou que defendem salários menores às mulheres, "porque elas engravidam".

Sou contra, Lula, os que apontam como fascistas, aqueles que defendem um ponto de vista distinto e acusam de elitistas os que não compactuam com um modelo de governança que celebre o estabelecimento de um vínculo sólido e duradouro com programas assistenciais, e não a sua breve superação em virtude de melhorias tangíveis, e não paliativas, na macrocondição social de uma nação.

Sou contra os extremismos alimentados por ambos, como quando Lula celebra Hugo Chávez e Che Guevara, e Bolsonaro idolatra a si mesmo ou ao comandante Ustra, torturador de Dilma Rousseff (a quem repudio politicamente, mas a quem não desejo mal algum à sua condição física).

Sou contra o estímulo a uma guerra de palavras e contra quem promove dicotomias, como se a vida fosse uma eterna disputa pela aniquilação do intelecto alheio, e não uma grata oportunidade para ganharmos novos aprendizados, a cada dia, com o diferente.

Sou a favor de construirmos um novo cenário político para o Brasil, a partir de uma superação completa do velho, e não de mais uma chance para aquele que consideramos "menos ruim".

Chega do "menos ruim" — não é hora de oferecermos "um último voto de confiança" a quem o nosso filtro ideológico um dia já admirou.

É hora de colocarmos no mesmo patamar, de uma vez por todas, os que se igualaram na traição da esperança social; e nessa barca há que se incluir PT, PSDB e PMDB com o mesmo peso. Não há melhor ou pior, quando o "pecado original" é idêntico.

Sou a favor de elegermos quem apresentar competência no plano de governo e um equilíbrio mínimo na exposição de seus argumentos e de suas ideias.

Sou a favor de conduzir o Brasil que não coloca a técnica à frente da ética; elas devem caminhar em sintonia.

Sou a favor de vencer as eleições presidenciais a candidatura que lutar verdadeiramente o bom combate, ou seja, respeitando os adversários políticos e demonstrando ser um brasileiro que ama o País do melhor modo: sem sangue nos olhos, ao contrário de Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro.

Sou a favor de exigirmos decência e civilidade em 2018.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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