OPINIÃO
26/02/2016 17:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

As maiores injustiças da história do Oscar

Muita gente critica, mas todo mundo gruda na TV na madrugada de um domingo para ver a cerimônia do Oscar, a premiação mais popular do cinema mundial. A torcida por atores, diretores e filmes é grande. E entre vencedores e perdedores, há sempre muita reclamação com as injustiças. E olha que, em um prêmio que existe desde 1929, elas são muitas! Conheça aqui algumas das mais marcantes e veja se você concorda.

Muita gente critica, mas todo mundo gruda na TV na madrugada de um domingo para ver a cerimônia do Oscar, a premiação mais popular do cinema mundial.

A torcida por atores, diretores e filmes é grande. E entre vencedores e perdedores, há sempre muita reclamação com as injustiças. E olha que, em um prêmio que existe desde 1929, elas são muitas! Conheça aqui algumas das mais marcantes e veja se você concorda.

O maior azarão de todos os tempos

'Rocky: Um Lutador' é um filme muito popular e amado por todos, mas ninguém esperava que a história do boxeador desconhecido que luta de igual para igual com o campeão mundial pudesse repetir sua trama na vida real. Na premiação de 1977, o filme de John G. Avildsen (que tem como grande destaque de sua carreira de diretor a série Karatê Kid) superou nada mais, nada menos, que 'Todos os Homens do Presidente', de Alan J. Pakula, 'Taxi Driver', de Martin Scorsese, 'Rede de Intrigas', de Sidney Lumet, e o pouco conhecido, mas ótimo, 'Esta Terra é Minha', do grande e subestimado Hal Ashby.

A polêmica racial

Mesmo antes de acontecer, o Oscar 2016 já está marcado pela polêmica racial. Sem negros indicados a qualquer das categorias da premiação, a edição deste ano recebeu uma enxurrada de protestos de atores, diretores e até do presidente Barack Obama. Desde 1929, apenas 16 negros conquistaram a estatueta, sendo 15 atores e apenas um cineasta, no caso, o inglês Steve McQueen, que recebeu o prêmio de Melhor Filme com '12 Anos de Escravidão'. Ou seja, ele não venceu como diretor, mas apenas como produtor. Muito pouco, não acha? E essa realidade ficou bem evidente em 1990, quando 'Conduzindo Miss Daisy' (que conta a história de um chofer negro subserviente a sua patroa branca e racista) conquistou a principal premiação daquele ano. E isso quando poderia ter como concorrente 'Faça a Coisa Certa', de Spike Lee, um marcante questionamento sobre a questão racial americana, que foi totalmente esnobado pela Academia.

Morricone de mãos vazias

O maior compositor de trilhas sonoras de todos os tempos, o italiano Ennio Morricone, nunca venceu um Oscar, apenas um prêmio honorário em 2007. Além da indicação por 'Os Oito Odiados' na edição 2016, o maestro concorreu outras cinco vezes pela estatueta e não venceu nenhuma. Mesmo por trilhas bem marcantes, como as de 'A Missão' (1986) e 'Os Intocáveis' (1987). Isso sem contar que obras memoráveis de Morricone foram completamente esnobadas pela Academia, como todas as suas parcerias com o diretor Sergio Leone. Ou seja, as icônicas trilhas de 'Três Homens em Conflito' (1966), 'Era uma vez no Oeste' (1968), 'Quando Explode a Vingança' (1971) e 'Era uma vez na América' (1984) sequer tiveram a chance de concorrer a um Oscar. Ah, e sabe outra que ficou de fora? A de 'Cinema Paradiso' (1988), que na cerimônia de 1989 abocanhou o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro. Mesmo que ele finalmente conquiste a estatueta com 'Os Oito Odiados', convenhamos que esse é mais um clássico caso de ganhar com o filme errado.

A inacreditável década de 1990

Comparando as décadas em que a premiação aconteceu, nenhuma delas chega aos pés dos anos 90 no quesito injustiça. E isso falando apenas na principal categoria, a de Melhor Filme. Em 1991, 'Dança com Lobos', dirigido e estrelado pelo hoje micado Kevin Costner, bateu um dos melhores filmes de máfia de todos os tempos: 'Os Bons Companheiros', de Martin Scorsese. Já em 1995 o caso foi ainda mais grave. Não que 'Forrest Gump - O Contador de Histórias' seja ruim, mas você acha, sinceramente, que o filme de Robert Zemeckis é melhor que 'Pulp Fiction - Tempo de Violência' ou 'Um Sonho de Liberdade'? Pois a Academia achou. A década segue com mais três absurdos: O esquecível 'O Paciente Inglês' superou 'Fargo' em 1997, 'Titanic' bateu 'Los Angeles - Cidade Proibida' em 1998, e o péssimo 'Shakespeare Apaixonado' ganhou de 'O Resgate do Soldado Ryan' em 1999.

Vencedores pelo filme errado

Os vencedores pelo filme errado são os mais clássicos exemplos das injustiças do Oscar, um prêmio por vezes mais político que artístico. Entre os muitos casos, um dos mais marcantes foi o de Al Pacino em 1993. Com sete indicações e nenhum prêmio no currículo (entre eles suas incríveis atuações em 'O Poderoso Chefão II', 'Um Dia de Cão' e 'Serpico'), Pacino venceu por seu desempenho exagerado e caricato em 'Perfume de Mulher', batendo o excelente trabalho de Denzel Washington em 'Malcolm X'. Também há o caso de Jeremy Irons, que quando abocanhou a estatueta em 1991 pelo insosso 'O Reverso da Fortuna', em seu discurso agradeceu David Cronenberg, diretor de 'Gêmeos, Mórbida Semelhança', filme pelo qual Irons deveria ter sido agraciado com o prêmio quatro anos antes. E a lista segue... Dustin Hoffman, que venceu por 'Kramer vs. Kramer' (1980) e 'Rain Man' (1989), perdeu em 1970 com seu papel mais icônico: Ratso Rizzo em 'Perdidos na Noite'. Entre as mulheres, a premiadíssima Juliette Binoche, que brilhou em filmes de cineastas do peso de Jean-Luc Godard, Hou Hsiao-Hsien e Krzysztof Kieślowski, venceu um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (1997) pelo superestimado 'O Paciente Inglês', do medíocre Anthony Minghella.

Grandes concorrentes, grandes perdedores - filmes

A lista de excelentes filmes que concorreram em muitas categorias e não venceram nenhuma é extensa, mas aqui vão alguns destaques: 'Gata em Teto de Zinco Quente', de Richard Brooks, seis indicações; 'Anatomia de um Crime', de Otto Preminger, e 'Tempo de Liberdade', de Frank Darabont, ambos com sete; 'O Homem Elefante', de David Lynch, com oito; e 'A Cor Púrpura', de Steven Spielberg, com incríveis 11 indicações sem faturar uma estatueta sequer.

Grandes concorrentes, grandes perdedores - diretores

Tudo bem que Hollywood olha mais para o próprio umbigo e não liga muito para o mundo do cinema fora dos Estados Unidos, mas além de nunca ter premiado concorrentes estrangeiros na categoria dos diretores, até grandes cineastas americanos entram nessa lista de esnobados. Veja só os nomes: Michelangelo Antonioni (uma indicação), Ingmar Bergman (três indicações), Federico Fellini (quatro indicações), Alfred Hitchcock (cinco indicações), Akira Kurosawa (uma indicação), Sidney Lumet (quatro indicações), David Lynch (três indicações), François Truffaut (uma indicação) e Orson Welles (uma indicação).

Os atores esnobados pela Academia

Grandes atuações que não entraram nem na lista de indicados ao Oscar: Maria Falconetti como Joana D'Arc em 'O Martírio de Joana D'Arc' (1928), Judy Garland como Dorothy em 'O Mágico de Oz' (1939), Humphrey Bogart como Sam Spade em 'Relíquia Macabra' (1941), Ingrid Bergman como Ilsa Lund Laszlo em 'Casablanca' (1942), Robert Mitchum como o pastor Harry Powell em 'Mensageiro do Diabo' (1955), James Dean como Jim Stark em 'Juventude Transviada' (1955), Anthony Perkins como Norman Bates em 'Psicose' (1960), Mia Farrow como Rosemary Woodhouse em 'O Bebê de Rosemary' (1968), e Jack Nicholson como Jack Torrance em 'O Iluminado' (1980).

Os diretores esnobados pela Academia

Para encerrar a lista de absurdos, entre os grandes diretores que NUNCA foram indicados para um Oscar estão: Tim Burton, Brian De Palma, Jean-Luc Godard, Fritz Lang, F.W. Murnau, Sam Peckinpah, Andrzej Wajda, Stanley Donen e D.W. Griffith.

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