OPINIÃO
11/06/2014 14:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Agropecuária brasileira mais competitiva na nova economia de baixo carbono

Um terço das emissões totais do Brasil vêm da agropecuária. A expansão do setor, que hoje tem o segundo maior rebanho bovino do mundo e pode alimentar um bilhão de pessoas, também significou um salto em suas emissões.

O Brasil cada vez mais se consolida como grande fonte de alimentos para o mundo. Porém, ao mesmo tempo em que estamos entre os principais fornecedores globais de carne, soja, cana de açúcar, arroz e café, também estamos em 5º lugar entre os maiores emissores de gases de efeito estufa (GEE) do planeta, principalmente por causa dos impactos causados pelas emissões do setor agropecuário.

Um terço das emissões totais do Brasil vêm da agropecuária. A expansão do setor, que hoje tem o segundo maior rebanho bovino do mundo e pode alimentar um bilhão de pessoas, também significou um salto em suas emissões.

É importante reconhecer que a busca por uma gestão eficiente das emissões de carbono e da redução dos impactos sobre o clima vão muito além do cumprimento de metas. O mercado consumidor na Europa e nos Estados Unidos já começa a exigir das grandes empresas de alimentos que pressionem sua cadeia produtiva para reduzir não só suas emissões, mas as de seus fornecedores. Um exemplo é a recente campanha da Oxfam, uma das maiores instituições sem fins lucrativos do mundo, cobrando exatamente isto das dez maiores empresas de alimentos do planeta.

Há mais de uma década indústrias de vários países vêm usando a metodologia do World Resources Institute (WRI) para calcular suas emissões, com metas para redução. Como não existia uma metodologia confiável para a agropecuária, o WRI acaba de lançar diretrizes próprias para o setor. E os produtores rurais brasileiros foram os primeiros a ganhar uma ferramenta de cálculo específica, testada por grandes empresas do setor como Bunge, Marfrig, AMaggi e JBS. Desenvolvida em parceria com Embrapa e Unicamp, a Ferramenta de Cálculo de Emissões de GEE no setor Agropecuário vai ajudar os produtores rurais a continuarem competitivos na economia de baixo carbono.

Empresas e produtores agropecuários são agora capazes de conhecer melhor o perfil das suas emissões, desenvolver planos de redução e ter vantagens competitivas com a melhoria de sua reputação e ampliação da transparência através da divulgação pública de emissões, podendo preparar-se para futuras barreiras ambientais aos seus produtos em outros países e antecipar-se para participar de um potencial mercado de carbono no futuro.

Por ser um grande ator na agenda internacional climática, seja por sua importância como grande gerador de emissões, seja por sua liderança na solução do problema em algumas áreas críticas, o Brasil é também o primeiro a aplicar esta metodologia na agropecuária. Acreditamos que muito mais é possível. O setor pode melhorar muito e emitir muito menos se o Plano Agricultura de Baixo Carbono (ABC) do governo vier a ser implementado em sua integridade e mecanismos financeiros adequados forem alocados na escala necessária.

Com as ferramentas certas, produtores agrícolas e pecuaristas brasileiros podem começar a diminuir a pegada de carbono para o bem do planeta e também dos seus lucros.

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