OPINIÃO
18/03/2015 16:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Mulheres-alfa existem: Vale a pena ser uma delas?

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Alguma vez, eu e você já nos perguntamos: "O que ela tem que eu não tenho?"

Ela não era a mais inteligente, nem a mais rica, mais bonita, mais simpática ou a mais mais - e, no entanto, fez algo que parecia impossível: venceu a discriminação e construiu um império. Era a "nariguda" e se tornou a über model. Casou com o solteiro mais cobiçado do mundo e não abriu mão da carreira brilhante.

Oprah, Gisele e Amal são exemplos de mulheres-alfa, mas não é preciso ir longe para encontrar uma mulher dessas.

Quando um homem troca a deusa plastificada pela gordinha feliz, aposto que ele foi atraído pela competência irresistível de dar e receber prazer sem culpa - mulher-alfa detected.

Quando uma empresa conservadora flexibiliza os horários da gerente recém chegada da licença-maternidade, intuo se tratar de uma profissional acima da média - mulher-alfa - e mantê-la justifica qualquer concessão.

Por mulher-alfa, entende-se a que ousa chegar aonde a maioria não vai.

Esqueça a versão pasteurizada das revistas; ela só aceita ser a versão atualizada de si mesma. Mulheres-alfa estão sempre em construção, enquanto as outras estão apenas em obras.

Diante de uma delas, os receptores testosterônicos urram: "Não a deixe escapar, seu otário!"

Sim, o macho-alfa se sente meio bobinho quando pensa nela. Sente que ainda falta ter alguma coisa. E, principalmente, ainda falta ser muita coisa. Não que ela o humilhe - ela apenas lhe devolve o direito de se enxergar como um menino com gana de passar da fase "I can't wait to be your husband" ("mal posso esperar para ser seu marido", em português).

Na impossibilidade de ser alfa ou de ter lugar na vida de uma, os recalcados procuram silenciá-la. Tem sido assim, dos tempos de Joana d'Arc aos dos haters da web. Em vão, pois esse tipo de mulher continua a inspirar, mesmo depois de existir.

Mulheres-alfa incomodam porque destroem as certezas absolutas que defendem gente ordinária contra a angústia do fracasso e da rejeição. Elas nos forçam a encarar o próprio teto de vidro e desmontam as desculpas de sempre: "Ah, se eu tivesse duas empregadas, se eu tivesse pai/marido rico, se eu não tivesse nascido no Brasil, se eu tivesse aquele corpinho, se eu não tivesse que pegar três conduções..." Inclusive, a mais previsível de todas: "Ela deve ter dado pra alguém".

Se você já foi alvo de comentários desse nível, se já se viu tentada a depreciar as suas conquistas, beleza ou conhecimento para não fazer inimigos, parabéns, moça! Você é uma mulher-alfa e deve incomodar.

Mas será que apanhar tanto vento contrário vale a pena?

Tenho motivos para crer que sim.

Quando um cara legal prefere jogar videogame a sair com uma garota, entendo que ele está fugindo das caçadoras de carrão e cartão, e esperando por uma que o aceite como ele é, e que o apoie em seus sonhos - e só uma mulher-alfa banca isso.

Quando um contratante de palestras me pede ajuda para melhorar a relação entre as gestoras, sei que ele está buscando uma equipe mais sênior - de mulheres-alfa - e que, como eu, acredita na sororidade como motor do sucesso.

Se estivéssemos tomando um café juntas agora, listaríamos tudo o que as mulheres podem fazer hoje. Tudo porque as alfas abriram trilhas para nós.

Ainda restam muitas portas a destravar e não tem jeito: você lidera ou segue a massa.

Se você reconhece que não vive em sua capacidade máxima, se sente saudade de um tempo em que já foi mais, acredite: daqui a 20 anos, o custo de ter ofuscado o seu brilho será bem mais alto que o de ter se empoderado.

E se empoderar nada mais é que ser alfa do seu jeito. Então, comece a fazer já o que for necessário para amar ser você, independentemente de quem ande dando like nas suas selfies.

Com a licença poética de Adélia Prado, eu predigo: Vai ser alfa na vida!