OPINIÃO
03/10/2014 11:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

Dilma, Marina e Luciana estão preparadas para liderar?

Brazilian President and candidate of Brazilian presidential election for the Workers Party (PT) Dilma Rousseff (L) and Marina Silva, a candidate for the Brazilian Socialist Party (PSB), pose for photographers before their last TV debate in Rio de Janeiro, Brazil, on October 2, 2014. The general election will be held on October 5, 2014.  AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA        (Photo credit should read YASUYOSHI CHIBA/AFP/Getty Images)
YASUYOSHI CHIBA via Getty Images
Brazilian President and candidate of Brazilian presidential election for the Workers Party (PT) Dilma Rousseff (L) and Marina Silva, a candidate for the Brazilian Socialist Party (PSB), pose for photographers before their last TV debate in Rio de Janeiro, Brazil, on October 2, 2014. The general election will be held on October 5, 2014. AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA (Photo credit should read YASUYOSHI CHIBA/AFP/Getty Images)

A campanha eleitoral para a Presidência me fisgou. Que entusiasta da liderança feminina ficaria impassível diante da disputa - inédita - entre três mulheres, pelo cargo máximo da República?

Apesar de hoje ele ser ocupado por uma mulher e de sermos a maioria do eleitorado brasileiro (52,13%, segundo o TSE), ainda somos minoria nas esferas do poder. Na Câmara dos Deputados e no Senado, a representação feminina não passa de 10% e, no Executivo, os números são parecidos: das 26 capitais, somente duas têm prefeitas.

O povo brasileiro reconhece: vingar em um ambiente pouco suportivo à participação feminina, por si só, faz de Dilma Rousseff, Marina Silva e Luciana Genro, vitoriosas. A pergunta que se ouve por aí, entretanto, é se elas estarão realmente preparadas para liderar a Nação.

Em busca de respostas, passei os últimos meses analisando as principais críticas endereçadas, não à ideologia político-partidária, mas ao estilo de liderança de cada candidata. Pude concluir que, para se tornarem líderes ainda melhores, elas têm cinco atitudes a desenvolver.

1. Lançar mão de variadas fontes de influência:

Construir credibilidade é imperativo, mas utilizar sempre os mesmos argumentos é um erro comum entre as presidenciáveis. Toda vez que apelam para o poder advindo do cargo, dos padrinhos políticos ou dos teóricos que estudaram, elas limitam suas chances de êxito, porque o processo de decisão varia de eleitor para eleitor. Por isso, é interessante recorrer a diferentes fontes de influência. Jo Miller, CEO do Women's Leadership Coaching, sugere seis: posição, experiência, recursos, informações, história e relacionamentos.

2. Manejar as emoções básicas:

Você já imaginou o estresse a que essas candidatas são submetidas? Eu pego uma virose, só de pensar. O momento de maior desgaste é também o mais crucial porque é nele que a essência de uma líder se revela. Não importa as humilhações que superou, os livros que decorou ou quantas patentes quebrou. Sob pressão, a garotinha insegura irrompe o blazer da mulher poderosa e recheia o discurso de coitadismos, ofensas pessoais e demais baboseiras. A boa reputação depende de se ter em mente que liderar é agir, mais do que reagir. Isso define quem sabe brigar feito gente grande.

3. Entender que o governo não é a sua família:

O jeitão matriarcal ou patriarcal de comandar é o caminho mais rápido para arruinar uma liderança. Agir como uma mãe controladora e tratar assessores como se eles fossem crianças tolas mina a confiança da equipe. O resultado? A líder fica parecendo aquele pai, sempre o último a saber. Embora implique estar à frente e peitar todo vento contrário, a liderança não precisa ser uma missão tão solitária.

4. Aprender que liderar não é gerenciar:

Nada é menos sustentável que o microgerenciamento. Ao contrário do que se teme, delegar não é "delargar". Quando a líder está cercada de pessoas competentes, prover visão clara e ferramentas adequadas é mais que um sinal de respeito pela equipe; é a única maneira de destinar tempo e energia às questões estratégicas, e, de quebra, conseguir ter uma vida!

5. Escolher os mentores com sabedoria:

Por mais fidelidade que se deva a um conselheiro ou padrinho, ninguém tem resposta para tudo e beber de uma única fonte pode ser imprudente. As mulheres que têm se saído melhor na liderança são as que sabem fazer perguntas precisas às pessoas certas, em cada ocasião. Colegas mais experientes ajudam a ampliar a perspectiva, especialistas contribuem com informações objetivas e oráculos (sim, eles também têm o seu lugar) fornecem a dose extra de coragem para fazer o que tem de ser feito.

No fim das contas, mais que uma questão de preparo, liderar é uma questão de prontidão. É um exercício diário, que começa quando se decide de onde virão as vaias.

Que Dilma, Marina e Luciana construam um legado verdadeiramente inspirador para as futuras gerações de mulheres no poder.

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.


Para saber mais rápido ainda, clique aqui.

MAIS ELEIÇÕES NO BRASIL POST:

Photo galleryQuem são os candidatos à Presidência See Gallery