OPINIÃO
22/03/2016 17:24 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Vamos expor as desigualdades de gênero, sim!

Popartic via Getty Images
Pink and blue figures on different coin stacks. Concept for gender pay gap.

Mais do que celebrar conquistas, atualmente, a cada dia, temos oportunidades de quebrar o silêncio sobre toda a injustiça que meninas e mulheres enfrentam dia a dia, em todo o mundo. Principalmente com a internet, mulheres têm ampliado suas vozes para reverter estatísticas que comprovam o quanto nossa sociedade é machista.

No Brasil, 500 mil mulheres são vítimas de estupro por ano - 70% são crianças e adolescentes, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). É preciso expor a realidade e é urgentemente necessário debater as consequências da cultura machista que vivemos.

Recentemente, nossa Câmara dos Deputados excluiu a "incorporação de perspectiva de gênero" de uma Medida Provisória, impedindo que o tema seja a base para as diretrizes do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos. É um retrocesso que precisa ser revisto.

Em nível internacional, países como Estados Unidos, Alemanha, França e o Brasil assumiram o compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que têm, entre seus pilares fundamentais, a Igualdade de Gênero e o Empoderamento de Meninas e Mulheres. No entanto, é necessário ir além e criar medidas que perpassem todas as camadas da sociedade e produzam efeitos concretos, capazes de mudanças efetivas.

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Foto: Plan international Brasil

A busca pela igualdade de gênero é para que 70% das meninas brasileiras, não sejam obrigadas a limpar a casa e fazer comida, enquanto só 11% dos meninos fazem o mesmo - tendo mais tempo livre para brincar e estudar, conforme a pesquisa da Plan "Por Ser Menina no Brasil: Crescendo entre Direitos e Violências". Uma em cada cinco das entrevistadas conhece alguma outra que já sofreu violência em casa. Os pais ou responsáveis de 26,2% das meninas gritam com elas e, em 23,2% dos casos, batem.

Muitas meninas que vivem este tipo de situação acabam casando cedo, pois, encontram no casamento uma alternativa para fugir da violência doméstica e da pobreza. Na maioria dos casos, os homens são, em média, nove anos mais velhos que as garotas. Cerca de 90 mil crianças de 10 a 14 anos são casadas no Brasil, segundo Censo 2010. Normalmente os casamentos de jovens não possuem registro em cartório e são considerados consensuais. Em alguns casos, a violência continua com o marido.

Há uma cultura de estupro que coloca a mulher como um objeto e ainda que ela consiga ocupar determinados espaços, ela é deslegitimada. As mulheres que trabalham independente de qualificação ganham em média um salário 30% menor que seus pares homens, não há salários justos.

A luta não é para que a mulher seja reconhecida por ser mulher, mas que ela não seja inabilitada por ser. Vamos refletir, conversar e debater sobre o quanto todos, desde os governos até os esposos, namorados, filhos, amigos, chefes ou colegas de trabalho agem contra a liberdade e a autonomia das mulheres com quem convivem.

É dia, é tempo e é hora de fortalecermos a luta das mulheres, com atitudes diárias, mudanças constitucionais e comportamentais, pois cada ato em favor das mulheres e pela igualdade beneficia a todos na construção de uma sociedade justa.

Anette Trompeter é diretora nacional da Plan International Brasil

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