OPINIÃO
20/01/2015 16:27 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:44 -02

Uma aventura sem motores: gringos percorrem 9 mil km pelo Brasil a pé, de bicicleta e de canoa

Dois gringos percorreram desde o extremo norte até o extremo sul, em uma jornada movida a "energia humana" - sem usar qualquer tipo de transporte motorizado. Sua principal motivação era um desejo de realmente "conhecer o Brasil que os turistas e grande parte dos próprios brasileiros nunca vêem ou mesmo ouvem falar" e tornar essa experiência acessível a outras pessoas através do vídeo.

reprodução

Imagine só a aventura de explorar nove mil quilômetros do Brasil, desde o extremo norte até o extremo sul, em uma jornada movida a "energia humana" - de canoa, bicicleta e a pé - sem usar qualquer tipo de transporte motorizado.

"Queríamos fazer algo que nos permitisse ver o Brasil com novos olhos, permitindo que os brasileiros tenham uma visão do seu próprio país através do olhar de dois gringos", disse Gareth Jones, 33 anos, nativo de Somerset, Inglaterra. Seu companheiro nessa aventura é o californiano Aaron Chervenak e a dupla já completou 3300 quilômetros da jornada.

Durante uma pausa para passar um tempo com sua namorada, a cantora e artista paraense Gaby Amarantos, antes de embarcar a pé para a próxima etapa da excursão, Gareth explicou como ele se apaixonou pelo Brasil em 2004. Depois, após anos de trabalho como banqueiro na área de investimentos no Reino Unido, decidiu voltar ao Rio e fazer qualquer tipo de trabalho que garantisse o seu sustento e o ajudasse a aprender o português, trabalhando em bares, albergues e ajudando a organizar excursões nas favelas.

Sua principal motivação era um desejo de realmente "conhecer o Brasil que os turistas e grande parte dos próprios brasileiros nunca vêem ou mesmo ouvem falar" e tornar essa experiência acessível a outras pessoas através do vídeo. Seu parceiro de aventuras, Aaron, era cineasta. Juntos eles conseguiram patrocínio e equipamentos que seriam de grande valor para a jornada, além de incrementar o investimento financeiro que cada um fez através de uma campanha de crowd sourcing. O site da expedição da dupla, oferece (em português e inglês) uma cobertura incrível da viagem até agora, um gostinho do que eles esperam tornar-se uma grande série em vídeo.

A jornada começou no estado de Roraima, que faz fronteira com a Guiana. Viajando em uma canoa portátil que pode ser desmontada e carregada nas próprias costas, vivendo com alimentos usados por militares e os peixes que conseguiam pescar, eles viajaram por águas desconhecidas, carregando a canoa e mantimentos nas áreas do rio que eram impossíveis de navegar, abrindo o caminho pela floresta tropical com facões. Eles não carregaram qualquer tipo de arma, já que isso poderia lhes causar problemas com as autoridades.

"Passamos semanas sem ver nenhum sinal de vida", diz Gareth. E quando encontravam, muitas vezes era apenas um barraco em uma pequena clareira numa encosta.

Ao descrever um dia da jornada escreveu o seguinte no site: "Não ficamos livres da canoa ou do sol o dia todo, como de costume. Nove horas remando muito e tudo o que nós queríamos era que o dia acabasse e um lugar seguro para passar a noite. Não podíamos correr o risco de sermos pegos sozinhos acampados na selva, e ficamos cansados de nos escondermos na mata, com medo de usar as tochas ou de cozinhar devido aos potenciais barcos de bandidos que apareciam depois do anoitecer. Nossos refúgios, agora, eram as pequenas aldeias ribeirinhas".

Ele explicou que as notícias se espalham rapidamente na selva e que descobriram que uma recepção fria em uma aldeia, algo que não haviam enfrentado até então, for a por causa de um assalto e assassinato ocorrido em outra casa no dia anterior. Isso lhes foi explicado enquanto sentavam tomando açaí com os moradores da aldeia, quando eles já haviam conseguido provar que de fato eram apenas uns gringos malucos, explorando o verdadeiro interior do país.

Apesar de terem completado apenas um terço da expedição em 132 dias de viagem, Gareth diz que a jornada tem comprovado a incrível generosidade dos 'ribeirinhos' e outras pessoas que eles têm encontrado no caminho. "Passávamos por uma aldeia e os moradores vinham até a margem do rio e enchiam a nossa canoa de comida. Quanto mais pobres as pessoas eram, melhor elas nos recebiam". Apesar disso não desmentir o crime que é um ocorrência diária no país, pelo menos oferece um contraponto positivo.

A imensidão territorial do país obviamente impossibilita os visitantes gringos de experimentar a vida dos muitos brasileiros cujas vidas simples seguem as estações do ano, com pouca variação de ano a ano, ainda que consigam ter um TV por satélite e assistir os principais jogos de futebol.

O que Gareth e Aaron esperam da sua jornada é um dar um pouco de visibilidade a essas pessoas, mostrá-los sob uma 'nova luz' para ajudar todos nós a apreciar e entender melhor esses compatriotas brasileiros.

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