OPINIÃO
16/12/2014 15:49 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

GringoView: uma receita para a Bahia chique

EDVALDO LUCENA

Este gringo esteve recentemente na festa de lançamento do novo livro da chef-celebridade Morena Leite, Mistura Morena, Cozinha Tropical Brasileira, que aconteceu em seu terceiro restaurante em São Paulo, o Santinho, situado nas elegantes instalações do Museu da Casa Brasileira, dando para os amplos jardins do museu.

Uma longa fila de convidados esperou mais ou menos pacientemente para receber os exemplares que haviam acabado de comprar em um balcão especial por R$ 130 cada, com o autógrafo de Morena.

Bonita e extremamente encantadora como sempre, ela estava debruçada, de caneta na mão, sobre uma longa mesa ao lado do fotógrafo Tuca Reines, cujas fotos ilustram o livro.

autógrafos

Ambos pareciam apreciar o processo de escrever algo na página de título do livro que lhes entregavam com uma tira de papel com o nome do comprador, para que as dedicatórias fossem pessoais.

Acho que isso é o show business, como dizem.

É da natureza dos lançamentos de livros que todos parecem sofrer de uma ligeira sensação de extorsão. O autor quer apresentar os frutos de seu trabalho aos amigos e admiradores e também, assim como a editora ou a livraria, vender alguns livros. Um convite para o lançamento de uma nova obra de um amigo cria ao mesmo tempo o desejo e a obrigação de participar. Mas também significa que, juntamente com uma ou duas taças de um vinho nada especial, você quase certamente terá de comprar um exemplar, mesmo que o preço seja exorbitante e o assunto tenha pouco ou nenhum interesse para você.

Como lançamento de livro, porém, este pelo menos tinha amostras copiosas, maravilhosamente preparadas e apresentadas, de muitas das 22 Belisquetes descritas nas receitas do livro, de grande formato e elegante, mais generosas quantidades de bom vinho e refrescos.

livro mistura morena

Estavam especialmente deliciosas as Galettes de Tapioca com Carne-seca, os Bombons de Camarão com Chutney de Manga e os Croquetes de Palmito-pupunha com Dip de Limão-cravo.

Dava mais uma sensação de evento promocional que de "festa", mas ninguém parecia se importar.

Morena construiu um império gastronômico sobre os alicerces de sua criação baiana em Trancoso, para onde seus pais, um empresário e uma arquiteta, foram no início dos anos 1970 para escapar da agitação de São Paulo. Ela conta que até os 15 anos cresceu feliz e descalça, ajudando na cozinha da família, que se expandiu, primeiro para alimentar os moradores, ávidos pelos produtos da horta e o arroz integral preparados por sua mãe, e depois, em 1985, no pequeno restaurante e pousada chamado Capim Santo. "Trancoso foi onde aprendi a ser um ser humano", diz ela. O capim-santo parece ter invadido sua corrente sanguínea e continua aparecendo em seus pratos.

Também lhe deu a oportunidade de desenvolver uma personalidade única e altamente comercializável, ligeiramente distanciada da multidão de jovens e talentosos chefs brasileiros de sua geração. Lembro-me de caminhões carregados de árvores exóticas e plantas enormes chegando à Ministro Rocha Azevedo quando Morena se preparava para abrir o Capim Santo, seu primeiro restaurante. Parecia que o Nordeste havia chegado de repente no meio dos Jardins.

Não é por acaso que a imagem de Morena, pintada para refletir a cor saudável, banhada de sol, da mulata que associamos à Bahia, com um gigantesco cesto de frutas nos braços, capta perfeitamente a marca que ela criou e nutriu com tanto sucesso. Chamemos de "Bahia chique" - uma escapada descontraída e deliciosa ao Nordeste, sem realmente termos de nos dar o trabalho de viajar até lá.

Ou você pode experimentar à mão preparando algumas das receitas.

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