OPINIÃO
19/09/2014 18:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

A magia de um concerto ao vivo

Peter Rosenwald

Alguns dias atrás, no ambiente maravilhoso da Sala São Paulo, o maestro Vladimir Ashkenazy conduziu a visitante Philharmonia Orchestra, do Reino Unido, em um soberbo concerto da série Mozarteum de música orquestral de Vaughan Williams, Beethoven e Tchaikovsky, para uma casa lotada de entusiastas. Foi inesquecível!

É preciso um grande concerto para nos lembrar de como é mais excitante ouvir uma excelente apresentação ao vivo do que a melhor música gravada ou transmitida pela Internet. Na sala de concertos sempre há uma sensação de antecipação no ar, quando os músicos assumem seus lugares no palco e quando o primeiro violino toca uma nota para ter certeza de que todos estão em sintonia, e o condutor finalmente sobe ao pódio e ergue sua batuta.

O maestro russo Ashkenazy, de 77 anos, já foi um dos principais pianistas do mundo e nos últimos 30 anos se concentrou na regência. Apenas escutar essa esplêndida orquestra sob sua liderança teria sido um raro prazer. Mas foi muito mais que isso.

O programa começou com o incrível retrato musical de Vaughan Williams "The Lark Ascending". Como solista, Ashkenazy apresentou a talentosa violinista Esther Yoo, um prodígio de 20 anos que triunfou ao enriquecer cada frase dessa obra lírica, mantendo o público na beira dos assentos, faminto por cada nuance musical. Ela ganhou uma tremenda ovação. Se puder superar seus maneirismos de palco, muitas vezes irritantes, está destinada a ser realmente uma grande violinista.

O pianista brasileiro Nelson Freire, ainda no topo da forma com quase 70 anos, tocou o difícil "Concerto do Imperador" de Beethoven com sua segurança habitual, seu estilo e sutileza esplêndidos. Por mais que seus muitos discos sejam maravilhosos, não podem ser comparados à emoção de ouvi-lo e vê-lo no palco. É outra dimensão. Mesmo quando seus dedos não estão nas teclas do Steinway, movem-se como se estivessem tocando cada nota da orquestra. Ele se torna totalmente uno com a música. Beethoven teria ficado muito contente.

Finalmente, foi a vez do pequenino maestro Ashkenazy ser a estrela. E ele obviamente gosta disso. Fomos agraciados com uma excelente interpretação da "Sinfonia nº 5" de Tchaikovsky, obra cheia das conhecidas melodias líricas que aparecem repetidamente em suas peças. A orquestra experiente responde maravilhosamente à direção entusiástica de Ashkenazy, nunca exibido em benefício próprio, sempre enfocando sua energia para extrair dos músicos o equilíbrio preciso entre os grupos instrumentais e nos permitir desfrutar a interação entre eles.

O que torna este concerto ao vivo ainda mais recompensador que as diversas gravações das mesmas obras? Talvez seja a falta de perfeição do áudio estéreo. É real, e podemos até suportar os inevitáveis ruídos, tosses, etc. da plateia. Quando estamos em uma sala de concertos, ou mesmo na rua, ouvindo pessoas de verdade fazendo música de verdade, nos envolvemos com ela de uma maneira que nenhuma gravação pode equiparar.

E se o concerto tem a qualidade deste, então, é pura magia.

(Observação: Eu fui membro do Conselho Consultivo do Mozarteum durante vários anos)

Philharmonia Orchestra na Sala São Paulo

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