OPINIÃO
09/04/2015 11:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Bilhões de consumidores emergentes vêm aí

A mudança (positiva) mais dramática da economia global está prestes a acontecer, entre 2016 e 2020. De 3 bilhões a 5 bilhões de novos consumidores que nunca compraram nada, nunca fizeram um único upload e nunca inventaram nem venderam nada estão prestes a entrar na internet e a dar um mega empurrão na economia global. Muitos desses indivíduos estão na África, na Índia, na China e no mundo em desenvolvimento, e sua renda é baixa, mas esse contingente representa dezenas de trilhões de dólares de novos dólares entrando na economia global... e ninguém fala disso.

gulfu photography via Getty Images
St. Andrews Forane Church at Arthunkal near Alappuzha held in month of January. This ten-day festival held in name of St. Sebastian attended by thousands of devotees from all parts of state.

A mudança (positiva) mais dramática da economia global está prestes a acontecer, entre 2016 e 2020.

De 3 bilhões a 5 bilhões de novos consumidores que nunca compraram nada, nunca fizeram um único upload e nunca inventaram nem venderam nada estão prestes a entrar na internet e a dar um mega empurrão na economia global.

Muitos desses indivíduos estão na África, na Índia, na China e no mundo em desenvolvimento, e sua renda é baixa, mas esse contingente representa dezenas de trilhões de dólares de novos dólares entrando na economia global... e ninguém fala disso.

Chamo este grupo de "Bilhões Emergentes".

O que você vai vender para eles?

Como eles concorrerão com você?

Os Bilhões Emergentes não estão entrando na internet como nós, 20 anos atrás, com um modem de linha discada. Eles chegam com conexões de 1 Mbps e acesso a todas as informações do mundo via Google, impressão 3D a partir da nuvem, Amazon Web Services, inteligência artificial com o Watson, crowdfunding, crowdsourcing e mais.

Este é um blog sobre os Bilhões Emergentes online e as implicações para você, seu setor e a economia global.

A tecnologia conectando o mundo

A internet é extraordinária, mas até recentemente só conectava os mais ricos.

Em 2010, havia 1,8 bilhão de pessoas conectadas.

Hoje, cinco anos depois, são 2,8 bilhões...

Em outras palavras, em um planeta com uma população de mais de 7 bilhões de pessoas, mais de 4 bilhões ainda não têm acesso à internet.

Mas, até 2020, espero que o mundo inteiro esteja conectado.

Eis os quatro maiores esforços, investindo bilhões de dólares para que isso aconteça.

1. Facebook e Internet.org

Algumas semanas atrás Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, anunciou: "Como parte de nossa campanha Internet.org para conectar o mundo, desenhamos uma aeronave não-tripulada que consegue transmitir sinal de internet dos ares."

O Facebook já fez um teste dessa aeronave no Reino Unido.

"O design final vai ter uma envergadura maior que a de um Boeing-737, mas vai pesar menos que um carro", disse Zuckerberg. "Ela vai funcionar à base de energia solar, com paineis nas asas, e vai voar a altitudes de mais de 60 000 pés durantes meses seguidos."

Zuck prossegue: "Aeronaves como essa vão ajudar a conectar o mundo inteiro, pois elas são uma maneira acessível de servir os 10% da população mundial que vive em comunidades remotas, sem infra-estrutura de internet."

O drone em forma de bumerangue se chama Aquila e é parte do plano do Facebook de levar acesso à web a países com problemas de infra-estrutura via a iniciativa Internet.org

Os drones sobrevoariam áreas em que o acesso à internet é não-existente ou de má qualidade.

O Internet.org está estudando várias tecnologias, incluindo lasers e satélites, que poderiam ser usados para transmitir o sinal de internet para populações ao redor do mundo.

2. SpaceX Global Constellation

Uma equipe de cerca de 50 pessoas no novo escritório da SpaceX, em Seattle, está trabalhando num projeto que usaria cerca de 700 pequenos satélites para oferecer acesso à internet para todo o planeta, com foco em áreas rurais e em desenvolvimento.

"Nosso foco é criar um sistema global de comunicações que seria maior do que qualquer outro já discutido", disse Elon Musk à Bloomberg Businessweek.

O projeto não deve ficar pronto em menos de cinco anos e terá um preço de 10 bilhões de dólares, segundo Musk.

O Google, junto com o fundo Fidelity, acaba de investir 1 bilhão de dólares na SpaceX, com o objetivo de levar internet via satélite para cantos remotos do mundo.

Dada a dominância da empresa em tecnologia de lançamento de foguetes, tal sistema poderia ter custos acessíveis de lançamento e manutenção.

3. O Projeto Loon, do Google

A conectividade global é central para o Google e, como tal, a empresa está apostando em várias abordagens para conectar a humanidade.

O Projeto Loon é "uma rede de [milhares] de balões viajando na fronteira do espaço (na estratosfera, duas vezes mais alto que aviões), desenhada para conectar populações rurais e de áreas remotas, ajudar a cobrir buracos de cobertura e oferecer acesso à internet depois de desastres".

Segundo o Google a estratosfera tem "muitas camadas de vento, e cada uma dessas camadas varia de direção e velocidade". O Google já demonstrou a capacidade de controlar a direção e a posição dos balões do Loon "subindo ou descendo [os balões] para uma camada em que o vento esteja soprando na direção desejada".

"Fazendo parceria com empresas de telecomunicações para compartilhar o espectro celular", o Google diz que "permite que as pessoas se conectem com a rede de balões diretamente de seus telefones e outros aparelhos com a tecnologia LTE".

4. OneWeb - Virgin Group e Qualcomm

Uma das primeiras redes de satélites foi proposta por Greg Wyler, em parceria com Richard Branson, presidente do Virgin Group, e Paul Jacobs, presidente da Qualcomm. Juntos, eles propuseram uma enorme constelação de satélites chamada OneWeb Ltd. Uma das coisas que fazer da OneWeb um projeto único é a alocação preexistente de espectro harmonizado globalmente.

O design da rede OneWeb pede 650 satélites, cada um pesando 125 quilos, operando a 1 200 km de altitude". Segundo o SpaceNews "cada [satélite] é capaz de uma banda de 8 gigabits por segundo para oferecer acesso à internet para casas e plataformas móveis".

Em uma entrevista em janeiro o fundador da OneWeb, Greg Wyler, disse que a empresa está na etapa final da análise dos fabricantes dos satélites e vai escolher um fornecedor até o meio do ano. Os satélites começariam a ser lançados em 2017.

As implicações de um mundo conectado

As implicações de mais de 7 bilhões de mentes são estarrecedoras, e precisamos falar delas. De novo, os Bilhões Emergentes representam dezenas de trilhões de dólares entrando na economia global. Eles vão gerar a necessidade de uma estrutura bancária para quem não tem banco hoje (provavelmente com algum derivativo do bitcoin), criar uma explosão de inovação e dar impulso a uma nova onda de empreendedorismo e competição global.

É esse tipo de conversa que tenho com meu grupo de 250 executivos chamado Abundance 360 - a convergência da tecnologia levando à desmaterialização, desmonetização e democratização de produtos, serviços e indústrias.

Vivemos em uma época incrível, na qual a única constante é a mudança. E o mundo muda cada vez mais rápido.

Este artigo foi originalmente publicado pelo The World Post e traduzido do inglês.