OPINIÃO
28/01/2014 18:26 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Reputação

Fiquei um tempo pensando em como avaliar artistas, músicos, bandas neste ambiente diferente daquele da indústria fonográfica. Por inércia, ainda se presta atenção em "discos vendidos", isso já era. Toda a produção musical passava por um ponto, a gravadora, que criava parâmetros para avaliação e julgamento fundamentais na difusão das obras. O número de discos vendidos era um parâmetro concreto, sujeito a alguma manipulação mas tinha credibilidade. Os números de vendas refletiam um vago interesse do público. Artistas que vendiam bem nos USA ou na Europa eram lançados aqui. De alguma forma difusa, as vendas implicavam em influência nos padrões estéticos vigentes, além de influenciarem os caminhos da divulgação. A produção artística circulava como um objeto de plástico absolutamente controlado, na fábrica, no estoque, nas faturas e também nas notas fiscais frias, quando o caminhão entregava o dobro do número de discos estipulado nos documentos fiscais.

Mudamos para outro sistema, com muitas interfaces. Os penúltimos CDs circulam, e criam números de vendas que agora são relativos. O grosso da circulação da música é gratuita, informal, compartilhada, emprestada, copiada. Uma pequena parte da circulação digital passa por lojas, tem algum controle. A plataforma da música hoje é muitas vezes maior que a indústria fonográfica, que mantém seu movimento e faz suas festas como o Grammy.

Praticamente todos os artistas novos ou fora do mercado comercial não ostentam mais um "número de vendas" que reflita sua aceitação pelo público. Aparecem alguns índices como o número de vistas no YouTube, ajudam a ter uma ideia da repercussão do artista, mas precisam ser colocados em perspectiva. Um instante de fama ou glória às vezes cria monstros com milhões de vistas, mas era só um gatinho no vídeo.

Outros parâmetros vão sendo incorporados a esta avaliação da relação entre artista e público, como o número de seguidores no tuiter, o numero de likes no face, a velocidade de espalhamento dos seus comentários e por aí vai.

Cada vez mais esta avaliação se distancia da relação entre o artista e sua performance industrial e se aproxima de uma relação entre sua persona virtual com seus fãs, pelas recomendações, pelo boca a boca, por hypes construidos e por explosões imprevisíveis em esferas da vida social, longe da mídia, da indústria ou de qualquer território controlado.

A indústria continua a manipular uma e outra manobra, como o vazamento antecipado, carta velha no baralho desde Roberto Carlos, que ainda funciona com um ou outro medalhão como Bowie ou Daft Punk, cria movimentos pontuais mas não funciona com artistas medianos ou novos.

Os bilhetes vendidos nos shows ao vivo também fazem parte desta cesta de índices, mas não temos aqui no Brasil uma organização de mercado com bilheterias publicadas. Os donos de casa noturnas e teatros não divulgam números. Mas a informação de shows lotados se agrega à definição de sucesso e nem sempre casas vazias querem dizer fracasso artístico.

Enfim, acredito que números de vendas, tanto de CDs quanto de downloads, refletem um estímulo marketeiro para vender um pouco mais do que já está vendendo no comércio de música gravada, e isso não tem nada a ver com o que acontece no mundo da música que ouvimos.

Reputação, então, começou a se desenhar como uma forma de descrever este índice composto de muitos vetores que definem uma carreira musical que pode estar em diferentes estágios, passando do anonimato para o reconhecimento e para a influência e aceitação. Mas reputação é uma palavra que muda de significado em cada frase, tem muitos usos e eu não conseguia segurar com firmeza para poder aplicar na música, nos negócios da música, na vida artística.

Estava com esta palavra entalada, nem ia para o éter nem descia para o papel. Resolvi procurar o que ela queria dizer por aí e no Google até a última página, um velho hábito de não confiar num único dicionário. Apareceram muitas definições, todas úteis e diversas e nem por isso definitivas.

A referência que me chamou a atenção primeiro foi a que parece que criou raízes mais fundas na internet, virou um meme sobre reputação. Da ficção científica de Cory Doctorow, "Down and Out in the Magic Kingdom" -- tem uma tradução disponivel gratis aqui -- surge uma noção que encantou os nerds: the whuffie is a reputation currency, onde o whuffie é um trocadilho com 'whuf', um latido grave -- o latido é uma moeda de reputação, baseada na opinião dos outros expressada nas redes sociais. Se voce é querido, respeitado e faz suas entregas em dia, os latidos se acumulam em sua conta. Com uma conta cheia de latidos você paga seu aluguel e transporte, roupa, ferramentas e comida. Se você urina do lado de fora do urinol perde seus latidos instantaneamente. Ande na linha e você consegue o que precisa. Consiga emplacar seu carisma e será o rei da reputação. Como sabemos das mídias sociais de hoje, todos votam o tempo todo e por isso os latidos têm volatilidade absurda. Não é muito bom nem como moeda nem como tesouro, de tão volátil. Quem segue o que acontece hoje em dia com os bitcoins, a primeira moeda virtual a entrar no mercado, percebe que este pode ser o comportamento da economia do virtual, a volatilidade permanente.

Dentro da história de Doctorow os latidos vão e vem, ilustrando o poder das redes sociais, o efeito da manada e a criação sistemática de memes para sobreviver no ambiente memético, como diz Alex Antunes.

Anotei e segui em frente. Na novela a administração da moeda de reputação depende de tecnologia ainda não implementada, terminais embutidos na visão, imersão profunda na rede. Me encantou alguem desenhar tão bem o que seria a reputação como moeda, e algumas consequências disso.

"Brodagem não paga contas", Dago Donato. Tem cara de ter sido um tuíte, expressando um mote de sabedoria da vidaloka. Brodagem é um termo que pode ter sido criado pelo Miranda, tanto que ele usa desde sempre. Coisa entre irmãos, uma brodagem. Geralmente significava que uma transação que tinha valor de mercado era operada sem moeda sonante. Entre irmãos. Eu toco no seu disco e você mixa o meu. Ou ainda, na versão mais fluida, você fala bem de mim que eu digo que você é legal. Reputação no paralelo, criando valor sem passar pelo caixa. Ao mesmo tempo que explicita que pode ser uma operação sem valor real monetário, também fica explícito para os bróders que foi só uma brodagem, ou seja, não constrói reputação nem paga contas.

Reputation Institute - Confiança, Estima, Admiração e Respeito

Um Instituto só para dizer para as empresas que elas precisam ter reputação e que esta reputação é administrável. Sua reputação é construída pelas ideias que você defende, mais do que pela mercadoria que vende. Defenda boas ideias -- economize agua, proteja as tartarugas, esqueite é saudável -- e você vai ver a reputação de sua companhia crescer acrescentar valor e defesas à sua marca. Mas são uns caras de pau! Como se não estivéssemos no quarto enquanto eles combinam que vão parecer bonzinhos. Sim, dizem eles, reputação é formada por confiança, estima, admiração e respeito. Só não dizem que existem falsas reputações que são criadas com promessas vazias.

Na Wikipedia - A reputação também é conhecida como um mecanismo de controle social ubíquo, espontâneo e altamente eficiente em sociedades naturais. É objeto de estudo em ciências sociais,administração e tecnologia. Sua influência vai de ambientes competitivos, tais como mercados, aos corporativos, tais como empresas, organizações, instituições e comunidades. Ademais a reputação atua em diferentes níveis de agência, individual e supra-individual. Ao nível supra-individual, diz respeito a grupos, comunidades, coletivos e entidades sociais abstratas (tais como empresas, corporações, países, culturas e mesmo civilizações). Ela afeta fenômenos em diferentes escalas, da vida cotidiana às relações entre nações. A reputação é um instrumento fundamental da ordem social, baseada em controle social espontâneo e distribuído.

Gostei desta linha. Primeiro, reputação como mecanismo de controle social, espontâneo e distribuído. Segundo que afeta a todos, de indivíduos a nações. Consigo desta forma imaginar a reputação como algo que permeia toda a música, as obras, os músicos, as interpretações, os gêneros, as diferentes habilidades para fazer música, todo o campo e sistema da música é sujeito à ação da reputação, das diferentes dimensões da reputação. Podem chamar de hype ou carisma, tanto faz, são expressões da reputação.

Pondé, FSP, 3-9-12, "... Valores são sempre materiais, ligados ao poder, patrimônio, sucesso, reconhecimento. ... a moral pública sempre foi fundada na hipocrisia e na superficialidade de julgamento do comportamento alheio."

Não acredito que o conceito de reputação como referência nas trocas de valor simbólico seja compreendido neste sistema de pensamento.

Do livro Economia criativa: um conjunto de visões - André Stangl - McLuhan e o Link da Alegria Criativa - No mundo simultâneo das redes digitais, a atenção organiza o tempo. Se antes acreditávamos que "tempo é dinheiro", hoje podemos dizer que atenção é dinheiro. Sem atenção não existimos na rede. Entrar em uma rede é buscar atenção e dar atenção, essa é a nossa nova moeda. McLuhan dizia que quando uma coisa é atual, ela cria uma moeda.

Buscar atenção e dar atenção define muito bem o objetivo de um artista que queira ter vida na rede. A atenção dos muitos fãs se acumula na direção do artista, cria um valor. Há uma troca necessária e construtiva, acontecendo agora e esta moeda criada, fruto da visibilidade na rede, pode ser representada pela reputação aumentando.

Do mesmo livro Economia criativa: um conjunto de visões - Marcelo Rosenbaum e Rosely Galhardo - O design e a EC. - Para entender melhor a Economia Criativa, o consultor Ken Robinson, especialista em criatividade, explica que há três palavras-chave:

  • A primeira é a imaginação, principal fonte de criatividade.
  • A segunda é a criatividade que consiste em colocar a imaginação para trabalhar. Criatividade é também o processo de geração de ideias originais que tenham valor - pode ser na música, nas artes ou na gestão da empresa.
  • A terceira palavra-chave é a inovação, que significa colocar as ideias iluminadas em prática.

Este processo de extrair valor da pura imaginação colocada em prática descreve o que é a essência do trabalho do artista, o parâmetro pelo qual será julgado, mesmo que não seja tão claro. O artista se afasta da categoria de bom operário da música, afinado, pontual, responsável e se transforma num criador quando traz este ingrediente para seu trabalho diário. E do nada surgem canções, estilos, hits. Este é o cara que acumula pontos em sua reputação, o criativo.

Idem, Luciana Annunziata - Toda EC pode ser criativa - o sonho de muitos jovens é encontrar trabalho nesse setor porque há uma grande possibilidade de expressão criativa e reconhecimento. Esse modelo de trabalho influencia milhares de jovens que buscam construir sua reputação nas redes sociais, produzindo e compartilhando os resultados de seu trabalho e dos métodos utilizados. Free riders , aqueles que somente se beneficiam da produção das redes sem contribuir, nunca atingem tal reputação.

Não basta ser criativo, é necessário compartilhar, transferir sua produção para o comum, o coletivo. Isto é o que traz pontos para sua reputação, fazer pública sua criação, transformá-la em inovação, quando suas ideias iluminadas mudam o mundo real. Antigamente tínhamos intermediários agindo neste ponto do processo, basicamente carreando sua criatividade até o mercado de discos. Hoje é necessário construir uma reputação compartilhando o resultado do seu trabalho. Se houver reputação há uma primeira promessa de recursos materiais chegando ali na frente, quando sua reputação for suficiente para transportá-lo até o reconhecimento público. Por enquanto não há dinheiro envolvido necessariamente e isto é normal.

Idem, Lala Diezehlin - Quatro Infinitos, Óculos 4D e uma Mãozinha para Ter Futuros Sustentáveis - ... ainda não reconhecemos que "valor" é muito mais do que o financeiro. Reputação (uma das poucas coisas que não é possível copiar), por exemplo, é um valor que tende a ser dos mais importantes... Normalmente, achamos que patrimônio se refere apenas ao financeiro, como investimento, financiamento, mercados, permutas, banco de horas, moedas complementares. Mas também existe o patrimônio na dimensão sociopolítica: o tecido social, as redes, a representação política, articulação, lideranças, ação coordenada, reputação. ...

Perceba que a sua reputação, sua moeda não financeira começa a ser respeitada como patrimônio, mesmo que seja na área sociopolítica. Uma reputação bem construída tem tanto valor quanto uma votação expressiva, tem valor representativo. De alguma forma, a aceitação e escolha do seu público pela sua arte tem valor reconhecido em outras esferas. Isto atrai mais atenção para o seu trabalho e portanto significa mais reputação, mais oportunidades de poder buscar recursos financeiros. Talvez não seja a hora de vender discos ou downloads, mas encontrar parceiros atraídos por sua reputação e cujo trabalho seja conseguir meios para criar resultados. Pode ser um produtor, uma pequena gravadora, um amigo empresário ou um publicitário que encomende um trabalho. Começa aí a ação coordenada, que pontencializa os resultados.

Idem, Gil Giardelli - A ruptura coletiva e a EC - Quando a escola vai ensinar de maneira convicta que o maior risco dos tempos atuais é justamente não correr riscos; que a moeda do século XXI é a reputação, e que falhar faz parte do jogo?

Espero que voce esteja investindo em sua reputação desde já. A concorrência faz parte da vida e as minhocas são do passarinho que acorda mais cedo. Que horrível!

Reputação é a mesma coisa que fama?

Brennan Heart & Wildstylez fizeram um video com "Reputation Game":

Power, money, fortune, lose it

Fuck the fame, feel the music

Power, money, fortune, fame

Fuck the reputation game

Em inglês o jogo da reputação rima com fama. A opção recomendada é sentir a música e transcender poder, dinheiro e fortuna. Dane-se a fama, dane-se a reputação. Não deixa de fazer sentido, manter-se fiel ao coração, ao lado criativo e não se deixar levar pela busca obsessiva pela reputação e o seu excesso: a fama. Não fazer disto um jogo é um bom conselho, ainda mais dito tão enfaticamente: sinta a música, é de onde vem tudo.

Em algum lugar da velha internet dos sites, eu havia feito uma procura de significados da palavra talento, outro mistério cheio de interpretações e que atormenta quem lida com música. Ficou na memória uma definição a partir da origem da palavra. Talento é o que se conta, o que contamos dos outros, o que nos chama a atenção. O meu talento é uma feijoada muito comentada no YouTube. O que você faz que é assunto, que é notado pelos outros. A palavra vem dos gregos e significava uma medida, uma conta, um peso. Virou uma moeda, que representava uma fortuna, algo como 30 kg de ouro, uns dois milhões de reais. Por isso passou a representar algo valioso, porem imaterial, uma habilidade nata ou adquirida que permite que você chame atenção, seja notado. Claro que faz parte do conceito de reputação. Na música, não basta ser criativo, inovador e buscar uma reputação. É necessário ter talento. Só o talento garante o orgasmo perfeito, com fama, fortuna e uma carreira pela frente, porque você tem algo que não se desmanchará na volatilidade das redes sociais, sua reputação resistirá.

Mais recentemente, Malcolm Gladwell, autor de livros pop resolveu pesquisar sobre essa coisa de talento e fez uma revelação: existem dois tipos básicos de talento. O talento de quem nasce com o dom e sai tocando como um virtuose sem fazer força. O outro tipo de talento é adquirido após 10 mil horas de prática, ou seja, uns bons anos dedicados às escalas infinitas. Neste momento não conseguimos mais discernir qual é um e qual é outro, ambos têm o mesmo talento. Claro que são necessárias condições bem específicas para ser verdade. Repetição simples não vale, tem de haver fluxo, foco, concentração e progresso. Ou seja, obter o orgasmo perfeito, com fama, fortuna, criatividade e inovação sem perder a reputação está ao alcance dos que no mínimo se dedicam ao seu talento com disciplina e entusiasmo durante alguns bons anos.

"Lose money for the firm, and I will be understanding. Lose a shred of reputation for the firm, and I will be ruthless." Warren Buffet, em algum tuíte perdido.

Warren Buffet é o bilionario com talento para cuidar do dinheiro dos outros bilionarios. Diz ele: Perca dinheiro da firma e eu entendo. Perca uma lasca da reputação da firma e serei implacável.

Mesmo falando de outro universo, continua a fazer sentido quando se pensa em reputação como sendo um grande valor para os artistas também. Errar é permitido, perder a reputação nem uma lasca. A reputação é o maior valor que os outros nos confiam para guardar. Tem a ver com confiança, admiração, respeito e estima e estas são coisas que como disse Milton, se guardam no peito.

Randall Farmer - Building web Rep - https://www.youtube.com/watch?v=Yn7e0J9m6rE

Reputação é a respeito de quem é bom e quem é mau.

Reputação é informação usada para fazer um julgamento de valor a a respeito de pessoas ou coisas. É um tecido feito por "eu confio, quem eu confio, porque eu confio neles".

Reputação é sempre dentro de um contexto, quanto mais estreito mais bem definido.

Usamos reputação em todas as conversas, emitimos julgamentos o tempo todo, repassados ou criados.

Randall Farmer é um especialista em Reputação no mundo digital. É o criador de vários sistemas de medida de reputação, também chamados de karma, que medem o envolvimento e dedicação dos usuarios.

Sua visão bem pragmática contém definições precisas. Usamos reputação para avaliar quem é bom e quem é mau. Artistas, lembrem-se disto. Reputação define estas palavras da entrega mágica: eu confio, em quem eu confio, porque eu confio neles. A entrega final de nossa confiança depende da reputação, simples isso.

Regra 6 do Regulamento do Golfe em Portugal: Um jogador amador não pode usar de seu talento ou reputação para auferir beneficios.

Parece óbvio, mas é um procedimento ético definir amadores como os que não auferem benefícios, mesmo que desempenhem as mesmas atividades que os profissionais. Isto seria um conceito útil para o mundo da música, onde não há esta linha clara separando uns dos outros. Desta forma, os profissionais não podem se queixar de concorrência desleal por parte dos amadores. Mesmo que os amadores estejam construindo sua reputação com seu talento e um dia se transformem nos novos profissionais.

Neste inicio de 2014, estou fazendo um apanhado de todas as listas que consegui de melhores discos e melhores artistas do ano de 2013. Cada vez que alguem é mencionado em uma lista isto significa que é uma recomendação, um acréscimo na reputação do artista. Em principio, não considerei a colocação do artista dentro da lista, bastava ser mencionado e já contava um ponto. A classificação dentro de uma lista tem muito a ver com o ambiente. Listas de rock pontuam bem o genero, mas se um rapper é incluido ali, mesmo em último lugar, este é o sinal, a recomendação, o ponto. Em breve publico o resultado, uma horrível e árida planilha, mas com várias constatações de como funciona a reputação como moeda de referência para os músicos.

(Texto originalmente publicado no Peripécias do Pena)