OPINIÃO
27/07/2014 09:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Os desenvolvedores de jogos deveriam ser como David Bowie?

A música e imagem de Bowie mudaram radicalmente ao longo do tempo, mas seus fãs permaneceram leais, tanto pela emoção de acompanhar sua renovação, mas também pelos valores que seu trabalho representa.

JOHANNES EISELE via Getty Images
The Ziggy Stardust jumpsuit designed by Freddie Burretti (1972) is seen in front of a video installation at the 'David Bowie' exhibition at the Martin-Gropius-Bau museum in Berlin during a preview on May 19, 2014. The retrospective that was on display at London's Victoria and Albert Museum before will be running in the German capital from May 20 to August 10, 2014. AFP PHOTO / JOHANNES EISELERESTRICTED TO EDITORIAL USE, MANDATORY MENTION OF THE ARTIST UPON PUBLICATION, TO ILLUSTRATE THE EVENT AS SPECIFIED IN THE CAPTION (Photo credit should read JOHANNES EISELE/AFP/Getty Images)

Li no Polygon: os desenvolvedores de videogames deveriam copiar a carreira do cantor e músico inglês David Bowie. O mundo dos games passa por uma transformação, com jogos "Triple A", de empresas como Sony, Nintendo e Microsoft, disputando espaço com independentes divulgados pelo Steam e em outras novas plataformas

Diz o jornalista Brian Crecente no Polygon: "Ao longo de sua vida, Bowie se reinventou continuamente, ano a ano, de um álbum para outro. Sua música e imagem mudaram radicalmente ao longo do tempo, mas seus fãs permaneceram leais, tanto pela emoção de acompanhar sua renovação, mas também pelos valores que seu trabalho representa. Os desenvolvedores de jogos precisam ser mais como Bowie e confiar que seus fãs vão seguir seus impulsos criativos. Acreditar que a coisa que os jogadores mais gostam em um game é mais o espírito do criador e menos a mecânica de sua criação".

David Robert Jones "Bowie" tem 67 anos e 50 de carreira, desde 1964. Lançou 26 discos de estúdio, todos com sonoridade muito variada. Foi imortalizado nos anos 70 por ter criado o super-herói alienígena Ziggy Stardust, um marciano que vai até o planeta Terra para morrer por nós. Graças a este personagem andrógino nos palcos, inaugurou o rock espacial e o glitter. Relacionou-se com homens e mulheres, e ganhou popularidade com sua bissexualidade.

Lançou, entre 1977 e 1979, a trilogia de Berlim - os álbuns Low, Heroes e Lodger. Refinou seu time de produção nesta época, atraindo o ex-Roxy Music Brian Eno e Tony Visconti. O último participaria de seu disco mais recente, The Next Day (2013). A partir deste ponto da carreira, o som de David Bowie modernizou e definitivamente intercalou o rock'n'roll com a música pop.

Let's Dance (1983) consolidou Bowie na dance music. Em 1989, ele ainda criaria a banda Tin Machine, que duraria até 92. As parcerias musicais foram inúmeras, desde seu amigo punk Iggy Pop até o cantor consagrado Freddie Mercury.

O que Bowie nos ensina sobre a vida, e pode ensinar sobre desenvolvimento de jogos, é que ele tem um olhar atento no público e outro olhar atento a sua própria arte. Ele fez trabalhos que não fizeram tanto sucesso, apostou em iniciativas que ninguém prestava atenção e estouraram, além de obedecer alguns padrões da indústria musical. Quando a moda era dançar, David Bowie se mexeu. Quando era modismo fazer discos conceituais, ele contou histórias. E quando os produtores dominaram o mercado com experimentos musicais, ele deixou que os técnicos brincassem com suas criações artísticas.

"O mercado não sabe o que ele quer. Quem dita ele somos nós, os desenvolvedores. Então cabe a nós mostrar algo que sirva para o mercado e que seja o melhor produto ou, no mínimo, diferente da alternativa estrangeira", disse o artista digital Glauber Kotaki, à coluna Geração Gamer do TechTudo, site da Globo.com.

Momentos de crise como o atual, em que jogos com produção de um filme de Hollywood disputam espaço com games criados por startups de cinco funcionários, devemos ter uma criatividade camelônica de David Bowie. Precisamos nos reinventar o tempo inteiro, sem estregar sempre o mesmo produto. É um estilo de vida.

Bowie teve problemas de saúde em 2003, na turnê do disco Reality. Ficou 10 anos afastado da carreira musical. Houve quem especulasse que ele estava morrendo. Sua volta triunfal para a gravação de The Next Day foi anunciada a conta gotas na internet. Seu tempo distante da vida artística permitiu que ele fizesse um trabalho caprichado e criando um buzz acima do normal na indústria de entretenimento. No lançamento do material, em março de 2013, ele bateu artistas bem-sucedidas recentes como Rihanna, Taylor Swift, Will.i.am e Britney Spears no iTunes.

Texto originalmente postado no Whiplash.net.

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