OPINIÃO
25/03/2016 18:40 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

O que é a Lista de Furnas de Aécio Neves, citada por Delcídio na Lava Jato?

Senado Federal/Flickr
CI - Pauta: comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) analisa indicação de Bernardo José Figueiredo Gonçalves de Oliveira para ser reconduzido ao cargo de diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Na bancada: senador Delcídio Amaral (PT-MS).

A delação premiada do senador Delcídio Amaral, protocolada no dia 15 de março, implicou o nome de 74 políticos governistas e de oposição, diferente do teor dos documentos divulgados pela revista ISTOÉ.

Os políticos mais mencionados são a presidente Dilma e o ex-presidente petista Lula, mas acusações graves de indicações de ex-diretores da Petrobras são atribuídos ao vice Michel Temer e ao presidente do Senado, Renan Calheiros, ambos do PMDB.

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Mencionado 14 vezes no documento, o senador tucano Aécio Neves estaria envolvido na Lava Jato e num esquema peculiar. Ex-governador de Minas Gerais, ele teria recebido propina de Furnas, subsidiária da Eletrobras, e indicou nome de Dimas Toledo para presidência da empresa.

Delcídio descreve o propinoduto como semelhante ao do Petrolão. Fernando Moura, lobista ligado ao ex-ministro José Dirceu, descreveu o pagamento de dinheiro como "um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio".

O crime em Furnas foi documentado em uma lista, denunciada como falsa pela revista Veja, de 2002. O documento é uma organização de caixa dois, dinheiro não contabilizado, para campanhas políticas do PSDB.

As candidaturas de José Serra para presidência, de Geraldo Alckmin para o governo do estado de São Paulo, além de Aécio Neves no governo de Minas, constam na denúncia. A Lista de Furnas foi levada até a Polícia Federal por Nilton Monteiro, operador do esquema de corrupção que foi perseguido em Minas Gerais.

"O grande organizador dessa estrutura criminosa chama-se Aécio Neves da Cunha", diz Nilton sobre o caso. Jornalistas que cobriram Furnas chegaram a ser difamados e um foi preso por nove meses em 2014, no período das eleições em que Aécio disputou a presidência contra Dilma. O tucano também teria contas no exterior.

Antes de Delcídio do Amaral citar a Lista de Furnas na Operação Lava Jato, o repórter Joaquim de Carvalho, do site Diário do Centro do Mundo (DCM), fez uma série de reportagens sobre o caso. O propinoduto foi citado por Roberto Jefferson na CPI Mista dos Correios, no período do mensalão. Com a Procuradoria Geral da República estudando uma investigação contra a presidente Dilma e o ex-presidente Lula, vale lembrar o escândalo de Aécio Neves para entender um grande escândalo de corrupção encabeçado pelo PSDB

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