OPINIÃO
10/07/2014 14:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Jogos retrô são o futuro?

Olha só: esses games estão sendo criados, majoritariamente, por estúdios indies, pequenos, que tentam fazer videogames e até arte digital. É uma nova indústria dentro de um mercado novo.

Divulgação

Li no The Verge: Games com Pixel Art não são retrô, eles são o futuro. O texto, assinado por Sam Byford, correspondente do site em Tóquio, aborda Super Time Force, da desenvolvedora indie canadense Capybara Games, que se tornou um dos jogos mais admirados do Xbox One com seus gráficos dignos de uma máquina 8 bits, como o Nintendinho dos anos 80. Byford também lembra de TowerFall: Ascension, desenvolvido originalmente para Ouya e que fez sucesso no PlayStation 4. Recentemente chegou Shovel Knight no Wii U e no portátil Nintendo 3DS. Foi desenvolvido pela indie Yacht Club Games e chegou no dia 26 de junho de 2014.

Sabendo disso tudo, estamos vendo jogos teoricamente simples e rudimentares ganhando sucesso em consoles de ponta, criados pela Microsoft, Sony e Nintendo.

Os três jogos citados são completamente diferentes um do outro. Super Time Force é um jogo de tiro e plataforma, como Mega Man, com 16 personagens diferentes e seis etapas com muito tiroteio. Quando uma figura morre, você pode revisitar o estágio com outra, para cobrir suas fraquezas. É um jogo simples e complexo, ao mesmo tempo.

TowerFall: Ascension é um jogo de porrada com gráficos simples que lembra bastante Super Smash Bros., da Nintendo. O foco dele é o multijogador que é atraído pelos personagens que despertam um pouco de nostalgia. Jogo tem quatro modos e até quatro jogadores podem curtir a pancadaria.

Shovel Knight, armado com uma pá, percorre aventuras para salvar sua amada Shield Knight. Sua arma serve tanto para atacar tanto para resgatar recursos. O game é de plataforma e tem 14 chefes em 24 cenários. Castlevania e Mega Man estão homenageados no jogo, assim como o mapa inspirado em Super Mario Bros 3 e as vilas a la The Legend of Zelda 2.

São três jogos independentes parecidos na estética, mas completamente diferentes na mecânica e em seus objetivos.

A base de muitos jogos indies, e dos supostamente retrôs, é a tal da pixel art, a arte com pontos digitais. Para saber mais sobre essa arte, minha coluna Geração Gamer entrevistou o artista Glauber Kotaki, brasileiro que tem cerca de 30 jogos no currículo. E ele fez uma boa observação sobre a mudança no mercado: "O mercado não sabe o que ele quer. Quem dita ele somos nós, os desenvolvedores".

Se os desenvolvedores ditam as tendências dos videogames, junto com os consumidores que compram determinados produtos, esse auge de jogos 2D rudimentares é o sinal mais claro da crise de mercado dos chamados "Triple A" - Games que são sucesso de desenvolvimento, de crítica e de vendas. Esses videogames melhor qualificados, criados por estúdios que investem pesado na indústria, já não são mais sinônimo de destaque.

Quando os jogos de ponta já não ligam tanto, e com maior oferta de games independentes no Steam e, agora, nos principais consoles, a estética retrô e os jogos simples vão voltar a fazer sucesso. Jason Rohrer, criador de Passage (2007), falou ao The Verge: "Estou interessado em fazer que meu trabalho seja visual em casa, num computador. Eu não quero fazer as coisas que se parecem com pinturas em aquarela ou desenhos, por exemplo. Uso pixel art como uma espécie de desenho animado digitalmente nativo". Seu jogo tornou-se parte do acervo de games do Museum of Modern Art (MoMA), de Nova York, em 2012. Um reconhecimento de videogame como arte.

No Japão, de acordo com reportagem do site Selecter, uma cena independente está surgindo graças ao avanço do iPhone em 36% do mercado, antigamente dominado pelos portáteis PSP da Sony e Game Boy/DS da Nintendo. Esse dado é de 2013.

Jogos retrô podem ser o futuro. Esses games estão sendo criados, majoritariamente, por estúdios indies, pequenos, que tentam fazer videogames e até arte digital. É uma nova indústria dentro de um mercado novo. E pixel art, certamente, é uma modalidade de arte já reconhecida nos videogames.

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.

Para ver as atualizações mais rápido ainda, clique aqui.

MAIS GAMES NO BRASIL POST:

Galeria de Fotos A evolução dos jogos de mão Veja Fotos