OPINIÃO
02/08/2014 15:06 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

É fascinante saber que pessoas jogam Pokémon coletivamente há seis meses

Divulgação

Abri um email vindo da rede de streaming Twitch. Cerca de 1700 pessoas jogavam simultaneamente Pokémon X. Terminaram o jogo entre 27 de julho e dia 1º de agosto. O jogo coletivo Twitch Plays Pokémon (TPP) está no ar desde 12 de fevereiro de 2014. Ou seja, fazem seis meses, meio ano, que as pessoas estão jogando videogame coletivamente.

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Twitch era utilizado originalmente apenas para ver alguns jogos online. O criador anônimo de TPP gerou um script por chat que permite que usuários da rede comandem o personagem principal por palavras como "Up" ou "Down". Transformou-se em fenômeno.

Em fevereiro, o jogo reuniu 100 mil pessoas controlando o mesmo herói. Os jogadores jogaram Pokémon Red entre os dias 12 de fevereiro e 1º de março. Pokémon Crystal veio entre 2 de março e se encerrou em 15 de março. A versão Emerald foi jogada entre 21 de março e 11 de abril. Depois, foi a vez de Pokémon FireRed entre 11 e 27 de abril. Pokémon Platinum foi jogado entre 2 e 20 de maio. Veio o remake, HeartGold entre 23 de maio e 12 de junho. Já Pokémon Black foi apreciado entre 15 e 27 de junho, enquanto sua sequência Pokémon Black 2 rolou entre 6 e 22 de julho.

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Mais do que jogar bem, os gamers curtiram o jogo transformando alguns monstrinhos de bolso em personagem e memes na internet. Um dos mais famosos foi o Bird Jesus, de Pokémon Red, que se tornou tão poderoso a ponto de derrotar boa parte dos adversários. Ele era devoto, na cabeça dos jogadores, do "Deus Helix", um item fóssil que se tornaria depois o Pokémon Omastar.

Quando o jogo tinha alguma ordem, gamers acionavam o modo "Democracy". Quando apertavam qualquer comando, é o "Anarchy" que mandava na bagunça. Era praticamente uma experiência social - e política - de coletividade por meio de um videogame.

Os jogadores da página elencaram heróis e vilões entre os monstros e os personagens dos games. Não era nenhuma novidade, mas eram novas leituras das mesmas figuras. A coluna Geração Gamer, do site TechTudo da Globo.com, entrevistou sete brasileiros que viveram o Twitch Plays Pokémon em seu início.

Uma das pessoas entrevistadas, a pesquisadora, professora e designer Beatriz Blanco, fez um excelente texto na época chamado "A anarquia de Twitch Plays Pokémon e o fim do estereótipo do gamer antissocial".

Ninguém saiu de casa e se juntou com 100 mil pessoas, ou 1700, para jogar Pokémon. Não socializaram da maneira convencional. Todos permaneceram em casa, mas entraram em um jogo coletivamente. Deixaram de lado o "jogar a sério" e se divertiram.

É fascinante viver isso. Arrisco dizer que foi o acontecimento gamer do ano, que ainda será estudado. E continua acontecendo.

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