OPINIÃO
26/03/2016 22:38 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

O que fazer para não odiar seus problemas?

No fim, quanto mais percebemos que problemas são só "coisas" que temos que lidar, começamos a agir mais friamente para tirá-los logo do caminho e viver a vida um pouquinho mais em Velocidade de Cruzeiro.

Evil Erin/Flickr
AHHHH!!! sdkljfp089h t!!!!! i feel slightly stressed

É difícil aceitar a dura realidade de que coisas ruins acontecem, o tempo todo.

Agora, com os 30 batendo à porta, eu percebo que a gente é muito mal preparado para a vida. Não sei se é superproteção dos pais, ou descaso. Não sei se é privilégio por ter nascido saudável, numa típica família de classe média mineira. Ou até mesmo nossa cultura. Mas, não ensinar economia e política na escola, e não explicar, desde cedo, a complexidade e a inerência dos problemas na vida, é uma puta sacanagem, in my honest opinion.

Te ensinam logo cedo que todo mundo vai morrer mas não conseguem explicar que, até lá, muita, mas muita merda vai acontecer. É muito fácil quando, já com um problema na mão, te falam -- como se fosse a coisa mais óbvia do mundo -- "é... isso aí você vai ter que resolver.", "mas, como?", "Se vira."

Em algum momento, no meio do caminho, você vai perceber que o momentos Velocidade de Cruzeiro são intercalados por avalanches intermináveis de merda. Faça um exercício de memória e lembre a última vez em que pensou algo assim: "Olha, minha vida profissional tá ótima, estou produzindo bem, vida pessoal também tudo certo, acertei minhas finanças e consegui guardar uma boa grana, está tudo bem com a família e a vida tá ótima. Obrigado por tudo universo."

Se é que já aconteceu, durou quanto tempo?

Comigo aconteceu no último mês de 2015. Estava tudo exatamente assim. Parei de produzir textos e comecei a planejar tudo sobre 2016, como eu levaria o meu computador para a casa da minha mãe, como eu organizaria minha tralha digital e produziria, todo meu mês de janeiro no meu recesso de fim de ano. Tudo certo.

Eu só esqueci de combinar com o HD do meu computador. Que arrebentou.

Eu só esqueci que o custo de reparo de um computador da Apple é totalmente proporcional a quanto ele custa. Quanto maior melhor.

Eu só esqueci que uma briga por telefone ou por e-mail pode abalar os relacionamentos mais fortes.

E que não há nada mais saboroso para uma família feliz que um Natal cheio de algumas verdades.

E eu também esqueci que, aparentemente, sabia escrever, chegando a enviar para um cliente um "mais" no lugar de "mas".

E tudo isso aconteceu num espaço curtíssimo de tempo.

Eu poderia encarar todos esses problemas da forma como fiz com eles na maior parte da minha vida, reclamar. E reclamar. E reclamar, sem fim. O computador estragou, arruma. Afinal, guardei dinheiro para emergências como essa. Relacionamentos, seja familiar ou amoroso, é sentar e conversar. Errar no trabalho requer apenas que você admita o erro e trabalhe com atenção para não acontecer de novo.

Merdas acontecem, e ponto. Não é porque merecemos, ou por azar, ou ainda por causa do signo. Para ter problema basta estar vivo, deveria dizer o ditado. Porém, sua atitude em relação a eles faz toda a diferença. Eu estou me treinando para encarar essas coisas que acontecem entendendo-as da seguinte forma:

  • Problemas que eu posso resolver;
  • Problemas que não estão ao meu alcance.

No primeiro, você pode escolher se lamentar e questionar "por que eu?", ou pode ir fazendo um checklist de ações para resolver o que quer que seja. Fiquei triste com o caso do computador, sim, iria atrasar todo meu planejamento do ano (você estar recebendo essa news no fim de fevereiro é uma prova disso), me fez gastar uma grana atoa para levá-lo até a casa da minha mãe, e me frustrou pra caramba. Mas, por outro lado, assisti filmes e quase todas temporadas de How I Met Your Mother enquanto estive lá. Além do mais, escrevi bastante à mão.

Os problemas que não estão ao meu alcance, bem, esses eu até vou lamentar não poder fazer nada, mas não vou deixá-los ocupar muito minha cabeça. Para continuar no mesmo caso, eu estava com um peso de papel gigante e não poderia fazer nada até voltar a Belo Horizonte e levá-lo na assistência técnica, então, não me martirizei por causa disso.

"Felicidade não é a falta de problemas, é a habilidade de lidar com eles." -- Steve Maraboli, Life, the Truth, and Being Free.

Apesar de querer chorar, espernear, culpar todos os deuses por minha má sorte. Eu resolvi aproveitar o que eu tinha. Mesmo quando é algo relacionado a uma doença, e afeta alguém próximo, ou mesmo várias pessoas próximas, não temos muito o que fazer a não ser ter empatia e ajudar no que puder.

No fim, quanto mais percebemos que problemas são só "coisas" que temos que lidar, começamos a agir mais friamente para tirá-los logo do caminho e viver a vida um pouquinho mais em Velocidade de Cruzeiro.

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