OPINIÃO
29/01/2015 12:38 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Visibilidade: quem são nossos símbolos?

Visibilidade é um aspecto indispensável para qualquer causa. Neste caso, faz o papel de desmistificar a sexualidade e mostrar que ela é um aspecto tão normal da vida cotidiana quanto ser apresentador, jornalista, ator ou comediante.

"E, Larry, eu nem sei o que significa 'celebrar meu lesbianismo'. Bem, eu acho que eu sei." Ellen DeGeneres usou o espaço em seu programa de TV para responder às críticas raivosas de um pastor americano. O religioso mencionou Ellen em um artigo que critica a doutrinação e a "agenda gay" em Hollywood. Ela, como de costume, respondeu com seu humor característico e explicou com simplicidade à plateia e ao telespectador o absurdo representado pelas falas do pastor. E aqui, no Brasil, quantas celebridades LGBT têm esta visibilidade e privilégio?

Ellen é uma das figuras mais populares da TV americana. Seu programa alcança entre 3 e 4 milhões de telespectadores por episódio diariamente e ela já apresentou a cerimônia do Oscar duas vezes. Em 1997, uma foto sua estampou a capa da Time dizendo "Yep, I'm Gay". São mais de 18 anos fora do armário para todo o planeta e a homossexualidade não parece conseguir minar a credibilidade de Ellen Degeneres enquanto supercelebridade do entretenimento. Mais que isso: a apresentadora goza de toda a liberdade para falar do assunto e rebater a ignorância sempre que necessário.

Visibilidade é um aspecto indispensável para qualquer causa. Neste caso, faz o papel de desmistificar a sexualidade e mostrar que ela é um aspecto tão normal da vida cotidiana quanto ser apresentador, jornalista, ator ou comediante. Anderson Cooper é o âncora número 1 da CNN. Neil Patrick Harris e Jim Parsons também são queridinhos da mídia americana e global. Ian McKellen, britânico, é um ator simplesmente incontestável. Lá fora, a lista vai longe.

No Brasil, sair do armário ainda escandaliza e assusta o público. O exemplo primeiro é o deputado Jean Wyllys (PSOL). Considerado um dos melhores parlamentares do Brasil e já em seu segundo mandato, Jean certamente precisa de descarregos frequentes devido à enxurrada cotidiana de ataques, críticas sujas, calúnias e mau olhado. Resiliente, o professor é uma das vozes mais importantes do que os críticos chamariam de "lobby gay" brasileiro.

Explico: nosso objetivo não é nem exaltar os EUA como o país da liberdade e paraíso gay do século XXI nem mesmo desprezar os compatriotas que tiveram a coragem de escancarar os armários. As celebridades americanas certamente enfrentam muita pressão e oposição pela escolha de viver sua sexualidade de maneira aberta e natural.

Por aqui, temos muitos bravos que fizeram a diferença ao falar sobre sexualidade na nossa telinha conservadora. O episódio mais atual é o da cantora Adriana Calcanhotto, que perdeu seu amor de toda uma vida nesta terça-feira (27) e foi tratada pela mídia com o respeito que qualquer viúva merece, homo ou hetero. Um passo importante para avançar rumo a uma sociedade que nos receba melhor é ampliar a quantidade de embaixadores, capazes de dar voz à diversidade e neutralizar a ignorância todos os dias.

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