OPINIÃO
09/04/2016 20:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Rússia X Turquia e a impossibilidade de uma Terceira Guerra Mundial

Nas últimas semanas, o debate acerca de uma possível Terceira Guerra Mundial ressurgiu na opinião pública. Os ataques terroristas perpetrados pelo Estado Islâmico em Paris, além do abate de um avião russo pelo exército turco na fronteira da Turquia com a Síria, agravaram a instabilidade política e econômica entre as principais potências globais.

Nas últimas semanas, o debate acerca de uma possível Terceira Guerra Mundial ressurgiu na opinião pública. Os ataques terroristas perpetrados pelo Estado Islâmico em Paris, além do abate de um avião russo pelo exército turco na fronteira da Turquia com a Síria, agravaram a instabilidade política e econômica entre as principais potências globais.

As especulações dizem que a Rússia voltaria a entrar em rota de conflito com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), liderada pelos Estados Unidos e que tem a Turquia como um dos aliados mais recentes. O governo de Vladimir Putin considerou a ação do país liderado por Recep Tayyp Erdogan como "criminosa" e prometeu retaliação. Já os turcos justificaram a ação ao alegar invasão de seu espaço aéreo.

A ideia de que um conflito global poderia acontecer tornou-se objeto de especulação nas redes sociais, especialmente no Twitter. Para reforçar a tese, uma resposta russa à derrubada do avião poderia evocar o artigo cinco do estatuto da OTAN: atacar um dos membros é o mesmo que atacar todo o grupo. O artigo cinco foi evocado pela primeira vez em 2001, após os ataques de 11 de setembro, nos Estados Unidos. Como consequência, os norte-americanos e seus aliados invadiram o Afeganistão e derrubaram o regime Talibã.

Contudo, a regra pode não se aplicar no caso da briga russa-turca. Segundo especialistas consultados pela rede norte-americana NBC, um ataque a determinado membro da OTAN deve causar consequências diretas para todos os países da aliança - invasão de espaço aéreo não entra neste critério. Somado a este argumento, está desinteresse de Rússia e Turquia - e da OTAN - em patrocinar uma guerra neste momento. Os acontecimentos na Síria e a necessidade de parar o Estado Islâmico estão entre os motivos. Apesar de estarem em lados opostos - Moscou dá apoio a Bashar al Assad, já os turcos querem que o ditador abandone o poder - ambos se dizem inimigos do EI.

Não é só isso. Os dois países possuem boas relações econômicas e políticas no âmbito bilateral. Cerca de 60% do gás consumido na Turquia é importado da Rússia. O mesmo acontece com 10% do petróleo. É evidente que a relação deve ser abalada e prejudicar o aumento do comércio entre os dois. O governo de Putin deve, de acordo com analistas ouvidos por veículos norte-americanos, dificultar o fornecimento de gás e petróleo. Além disso, pediu aos seus cidadãos que não viagem para a Turquia, uma forma de prejudicar os lucros do país com turismo. Mas, de acordo com especialistas, o bloqueio deve ser temporário. Putin não pode se dar ao luxo de perder um parceiro comercial do porte da Turquia.

Ainda assim, Moscou deve revidar de maneira indireta. O presidente russo deve ordenar, na Síria, ataques a grupos rebeldes aliados do governo de Erdogan. Enquanto isso, a OTAN já pediu calma e, possivelmente, pode estimular um acordo entre os dois países.

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