OPINIÃO
15/07/2015 15:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Quantos mais serão necessários para cessar fogo?

Amarildos, DGs, Cláudias, Eduardos, Douglas e tantos outros. Quantos mais serão necessários para cessar fogo? Dois anos após o desaparecimento do Pedreiro Amarildo no Complexo da Maré, Rio de Janeiro, a viúva Elizabeth, que toma conta dos seis filhos sozinha, garante: "Não vou cansar de lutar".

Foto: Fernando Frazão/ABr
brasildefato1/Flickr
Foto: Fernando Frazão/ABr

Amarildos, DGs, Cláudias, Eduardos, Douglas e tantos outros. Quantos mais serão necessários para cessar fogo? Dois anos após o desaparecimento do Pedreiro Amarildo no Complexo da Maré, Rio de Janeiro, a viúva Elizabeth, que toma conta dos seis filhos sozinha, garante: "Não vou cansar de lutar".

Amarildo desapareceu após entrar numa viatura da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O dançarino DG visitava creche na comunidade onde nasceu quando foi alvejado com tiro nas costas. Claudia, auxiliar de limpeza, foi arrastada presa a uma viatura policial depois de ter sido baleada. Eduardo de 10 anos, que sonhava em ser bombeiro, brincava em frente sua casa quando morreu vítima de disparos da PM. Douglas ainda perguntou ao Policial: "por que o senhor atirou em mim?". Esta e tantas outras perguntas continuam sem resposta.

Um fato no mínimo curioso é que todos eles nasceram ou moravam em favela. Seria mera coincidência?

O fato é que esses casos tiveram repercussão na mídia e alguns destes policiais hoje sofrem punições administrativas. Mas, e os outros? Nenhuma morte pode passar em branco. Toda morte deve ser investigada. Por isso defendo a aprovação do PL 4471, que põe fim aos autos de resistência (ou resistências seguidas de mortes) e obriga investigação de toda morte decorrente de intervenção policial.

Além disso, as Polícias Militares precisam sofrer modificações na maneira como utilizam a força. Deve ser mais específica nas suas ações, mais investigativa e menos letal. Um estatuto do uso da força pode ser uma alternativa.