OPINIÃO
08/05/2014 09:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:28 -02

A Copa do Mundo será para os brasileiros?

Segundo várias figuras públicas, a realização do torneio é um dos momentos mais históricos para o país. A competição, e tudo que envolve o evento, será mesmo aproveitável pelos brasileiros?

No dia 12 de junho, o Brasil entra em campo contra a Croácia na Arena Corinthians, que depois de muito esforço parece teoricamente concluída, e dá início ao principal evento do futebol mundial: a Copa do Mundo da Fifa de 2014.

Segundo Ronaldo, Bebeto, Aldo Rebelo, Dilma, Lula e outras várias figuras públicas, a realização do torneio é um dos momentos mais históricos para o país e para o povo brasileiro. E que todo o investimento está sendo feito para a população aproveitar o máximo e também para realizar o sonho de ter a Copa do Mundo mais bonita que já existiu. Porém, a competição e tudo que envolve o evento, será mesmo aproveitável pelos brasileiros?

Recentemente, a Fifa atualizou os números de ingressos vendidos para a Copa do Mundo e divulgou que mais de um milhão ficaram nas mãos de torcedores brasileiros. Segundo estimativa do IBGE em 2013, o Brasil conta com uma população em cerca 200 milhões de pessoas. Ou seja, nem ao menos 5% do país terá o privilégio de entrar nos caros estádios e aproveitar a Copa do Mundo nas estruturas que tanto custaram aos cofres públicos. Será possível também aproveitar sem ir aos jogos, mas mesmo assim o público alcançado será mínimo, já que apenas 12 cidades, entre as quase 5.700 que o Brasil tem, serão sedes.

O Governo defendeu na época da candidatura que a Copa iria trazer mudanças nas cidades e que isso seria aproveitado por quase todos os brasileiros que por aqui residem. Porém, o que se viu foram obras atrasadas, obras que não saíram do papel, obras esquecidas e que sequer foram comentadas após propagandas maravilhosas. Promessas e mais promessas que foram jogadas para debaixo do tapete. Por conta dos atrasos na construção dos estádios, o único ponto de interesse da Fifa, o objetivo do país foi terminar os palcos dos jogos e as obras de infraestruturas ficaram resumidas aos aeroportos reformados e o resto foi praticamente esquecido. Exemplo é o VLT de Brasília, que foi prometido para o torneio, emperrou na licitação e saiu do plano de obras para a Copa de 2014.

Será que essa Copa do Mundo será mesmo lucrativa para o povo brasileiro? No Facebook já é possível observar alguns cambistas virtuais que querem aproveitar o torneio para saírem mais ricos do mês de junho e julho. Felicidade garantida só se o Brasil conquistar a Copa, pois se a derrota vier os únicos torcedores sorridentes serão os que conseguiram vender os ingressos mais caros do que compraram.

E tudo não será resumido ao torneio desse ano, já que em 2016 o Rio de Janeiro será sede das Olimpíadas. E o Brasil nesta semana já até recebeu um puxão de orelha do Comitê Olímpico Internacional pelos atrasos. Será que vale a pena ver de novo?

Se Ronaldo afirma que a Copa do Mundo não é feita com hospital, algo que é verdade, a dúvida fica por conta de outra situação. Será que o avanço na educação e na saúde do Brasil é feito com Copa do Mundo?