OPINIÃO
06/01/2015 15:59 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Mais que a internet: a votação da neutralidade da rede vai determinar se os americanos são primeiro cidadãos ou primeiro consumidores

Podemos discutir se o acesso igualitário vai provocar mais inovação ou se o acesso preferencial para os que pagarem mais produzirá conteúdo cada vez melhor, assim provocando inovações por conta própria. Mais fundamental, porém, é se nos consideramos primeiro cidadãos ou somos basicamente beneficiários de uma versão ou outra de uma economia de mercado.

wikimedia commons

O meio é a mensagem -- Marshall McLuhan

O debate sobre a próxima votação da neutralidade na internet deveria em primeiro lugar abordar a questão principal que ela cria: nós, americanos, somos primeiro consumidores ou primeiro cidadãos? Quais são nossos verdadeiros valores e prioridades?

A Comissão Federal de Comunicações (FCC na sigla em inglês) deverá votar em fevereiro as regras para gerenciar o tráfego na internet. Está em jogo se a internet (ou, como a chamava George W. Bush, "as internets") deve se tornar um sistema em múltiplas camadas, em que os que pagam mais recebem tratamento preferencial, ou se todos os usuários devem ser tratados igualmente.

O tratamento preferencial para quem pagar mais significaria faixas de prioridade para transmissões mais rápidas e faixas mais lentas para os outros.

Sim, podemos discutir se o acesso igualitário vai provocar mais inovação ou se o acesso preferencial para os que pagarem mais produzirá conteúdo cada vez melhor, assim provocando inovações por conta própria.

Mais fundamental, porém, é se nos consideramos primeiro cidadãos ou somos basicamente beneficiários de uma versão ou outra de uma economia de mercado.

Nunca saberemos se o acesso igualitário ou preferencial produziria mais inovação, mais coisas bacanas, que o contrário, pois não é uma experiência que possa ser realizada. Seja qual for a decisão tomada, não podemos saber que resultados a alternativa rejeitada teria produzido.

Espero que a FCC diga que somos primeiro cidadãos, depois consumidores, e escolha a neutralidade da internet. Eu gosto de ser um cidadão americano. Meus avós sofreram muito para que isso fosse possível. Se houver alguma novidade ou experiência que eu não receba tão rapidamente eu nunca saberei... e mesmo que soubesse tenho certeza de que posso ser igualmente feliz sem ela.

Nem tudo tem de alimentar relatórios trimestrais de lucros ou o consumismo. Quando o presidente Teddy Roosevelt preservou o Grande Canyon da exploração das mineradoras, e quando o presidente Obama fez o mesmo pela baía de Bristol, no Alasca, o que estava realmente em jogo é se somos primeiro cidadãos, com um legado a preservar, ou apenas consumidores e interesses comerciais.

A decisão sobre a neutralidade da internet é do mesmo teor.

E você? Primeiro cidadão, ou primeiro consumidor?

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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