OPINIÃO
06/02/2015 16:53 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Guerra Digital e cyberterrorismo

O atentado recente de Paris trouxe à tona novamente a importância de se combater o terrorismo na sua mais nova base digital, que faz com que alguns ambientes da internet hoje sirvam de chamariz para atrair jovens de todo o mundo para uma proposta de radicalismo extremado.

Infelizmente, ainda estamos reagindo apenas aos eventos quando estes ocorrem, mas temos que investir mais em prevenção e detecção, visto que, estas ações, em geral, são arquitetadas com muita antecedência e envolvem pessoas que se conectam e interagem diversas vezes, pelas vias digitais.

Sendo assim, pode-se afirmar que a verdadeira batalha contra o terrorismo está sendo travada em uma nova fronteira, que é o território da deep web.

Atualmente, é a deep web a responsável por reunir e disseminar práticas ilícitas, como pedofilia, canibalismo, tráfico de drogas, armas e outros materiais controlados, até o terrorismo, tendo inclusive uma moeda própria que são as bitcoins que contribui para a lavagem de dinheiro digital, já que dificulta o rastreamento de origem e destino dos recursos.

Portanto, o perímetro do terror não é mais físico, em um local específico, pois alcança uma dimensão planetária, onde seus integrantes conseguem receber todo tipo de treinamento remoto, com uso dos mais variados recursos tecnológicos que temos a disposição, que vão de uma aula a distância (EAD) a uma reunião via grupo de Whatsapp ou Skype.

A tecnologia não tem um mal intrínseco em si mesma, tudo depende da forma como é utilizada. Mas por certo, há necessidade de se construir um Plano Estratégico de Segurança Pública e Defesa Digital, que permita realizar campanhas junto ao cidadão que é a linha de frente ao combate ao terror, assim como a maior vítima dos ataques.

Mas de que modo os operadores da Internet poderiam contribuir para combater efetivamente o Cyberterrorismo? Como as autoridades podem derrubar de forma mais eficiente os sites que promovem a intolerância e o terror?

Cyberterrorismo é toda atividade praticada pela internet e por dispositivos digitais que busca causar pânico ou sensação de insegurança, indo desde a propagação de um boato com a criação de evidências falsas até ataques maciços de denegação de serviço ou alterações em sistemas críticos, a exemplo de distribuição de energia, saneamento básico e controle de fluxos de água, etc.

Logo, há um limite muito tênue que separa o direito à manifestação pacífica de opinião que pode ser praticada pelo hacktivismo do bem versus aquele que ocorre com propósitos terroristas.

Muitas vezes os ataques são direcionados a empresas, à Marcas que sejam ícones de uma determinada cultura, ou como no caso de Paris, às pessoas cujo ofício envolva criticar, mesmo que de forma satírica ou jocosa, o fanatismo religioso que nos assola.

Após os ataques sofridos na redação da revista Charlie Hebdo em Paris, o grupo Anonymous publicou vídeo deflagrando a #OpCharlieHebdo, em que esforços seriam direcionados para combater o terrorismo islâmico e os responsáveis pelo episódio na capital francesa.

Logo, em que momento então podemos dizer que entramos em uma 3ª. Guerra Mundial, que é a Guerra Digital? Na verdade, já estamos vivenciando ela, mesmo que ainda em uma escala reduzida e de forma silenciosa, nos bastidores da internet.

Vale lembrar que em novembro de 2014 houve ataques contra a empresa Sony (divisão de entretenimento) cuja autoria havia sido declinada à Coréia do Norte e que ensejou resposta ao ataque supostamente pelos Estados Unidos da América que quase deixou o país asiático fora do ar por mais de um dia (22 de dezembro de 2014).

E não foi a primeira vez. Antes, em 2009 houve ataque a 25 sites da Coréia do Sul e também tivemos o Careto (The Mask), com ataques a 10 países desde 2009, caso Rússia contra Estônia em 2007, em que suas instituições financeiras, sistema de telecomunicações e sites de notícias foram bombardeados por ataques de denegação de serviço.

Ainda estamos muito vulneráveis e a maioria dos líderes públicos e empresariais ainda não tratam o tema da Segurança Digital como prioridade de pauta estratégica. Não podemos continuar agindo com tamanho amadorismo, pois do outro lado há todo um grupo armado, profissional que está cada vez mais organizado.

Por isso, deveria haver uma agenda comum, com o compromisso de ação conjunta entre iniciativa privada e pública, abrangendo vários países, para garantir disponibilidade de recursos e serviços essenciais e combater o Cyberterrorismo bem como preparar a população para um cenário mais bélico de Guerra Digital.

Para saber mais, clique aqui.

Curta a gente no Facebook |
Siga a gente no Twitter

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.


Para saber mais rápido ainda, clique aqui.