OPINIÃO
18/02/2015 15:49 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Geração conectada

O recente evento da Campus Party no Brasil novamente atraiu legiões de jovens conectados interagindo e compartilhando informações. A velocidade com que eles digitam nos celulares é surpreendente. Mas será que o comportamento desta geração atual é saudável?

Atualmente, a maioria dos jovens com mais de 14 anos fica em média até 16 horas na frente de telas que emitem luz artificial, e que podem ser bem prejudiciais à vista, segundo estudos recentes da Universidade Harvard nos EUA e de Coimbra em Portugal.

Além disso, o comportamento de caminhar digitando no celular tem aumentado os acidentes envolvendo quedas e atropelamentos. Isso pode acabar impactando a análise de risco de apólices de seguros de vida, saúde, automóvel. Ou seja, vai chegar o momento em que fará toda a diferença a pessoa responder se tem ou não celular.

Em plena era da informação, em que a busca pelo conhecimento é uma meta essencial para quem quer alcançar sucesso na vida profissional, o adolescente brasileiro tem recebido em média 800 mensagens de Whatsapp por dia, será que sobra algum tempo para estudar?

Tudo feito em excesso pode trazer efeitos colaterais, por isso, tem crescida a discussão sobre a obrigatoriedade de se implementar Campanhas Púbicas, inclusive nas Escolas, que falem do uso saudável da tecnologia e como tratar o vício tecnológico.

O uso excessivo e compulsivo da internet, onde a única coisa que importa é a senha do wi-fi tem sido objeto de estudos pelo Grupo de Dependência de Internet do Ambulatório de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo (www.dependenciadeinternet.com.br).

A maior preocupação tem sido de pais de usuários maciços de internet e jogos online, que buscam o Grupo visando uma orientação sobre como tratar os efeitos causados pelo abuso da tecnologia, tais como distúrbios relacionados a baixa auto-estima, depressão, fobias sociais, solidão e isolamento.

Há uma tendência muito grande do jovem desenvolver sedentarismo e reclusão emocional e isso gera um aumento de custo para a saúde pública, além de ocasionar problemas de empregabilidade no futuro.

Afinal, o efeito dispersivo das novas tecnologias tem sido um fator comprometedor para quem quer atuar com atividades que exijam altíssima concentração.

Já há empresas promovendo campanhas de uso saudável da tecnologia no trabalho como uma estratégia pra prevenir riscos trabalhistas. Tem sido muito difícil para o empregador conseguir cortar o acesso do colaborador, seja após horário de expediente, período de licença ou período de férias.

Este cenário é preocupante, quando projetado no longo prazo, pois pode trazer novos tipos de doença e gerar um impacto jurídico e financeiro para as corporações.

Mas independente disso, como ensinar uma criança que ganha um celular em media aos 8 anos que tem que saber a hora de desligar o aparelhinho, de fechar a porta digital e descansar?

Por certo, este é o tema do momento para a recente onda de aplicativos que visam aumentar os cuidados com a saúde e quem sabe pode estimular mais empreendorismo digital no Brasil.

Concluindo, o uso da tecnologia para ser sustentável tem que ser saudável!