OPINIÃO
14/04/2014 09:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Cidadania participativa

Nos últimos anos têm crescido as ações para participação direta dos cidadãos na agenda política de seu país, e a internet tem sido o canal viabilizador desta relação direta entre povo e Estado.

David Gould via Getty Images

Nos últimos anos têm crescido as ações para participação direta dos cidadãos na agenda política de seu país, e a internet tem sido o canal viabilizador desta relação direta entre povo e Estado.

É o que observamos com iniciativas como o orçamento participativo no Brasil, através do qual a comunidade pode votar em qual projeto gostaria que fosse realizado em seu município dentre as propostas apresentadas pelo gestor público.

Além disso, recentemente, o plebiscito de independência da Crimeia inspirou outras regiões do mundo com pretensões separatistas. Com isso, acaba de ocorrer o plebiscito online na Itália, para votar a possível separação de Veneza (Veneto), com 3,8 milhões de habitantes, que quer se tornar um país independente.

Apenas com a internet foi possível ouvir a opinião em tempo real de 2,3 milhões de eleitores, onde 89% votou a favor da separação e apenas 257 mil votaram contra.

Ou seja, um imbróglio político que ocorre desde 1797 pode ser resolvido por um click! Veneza já foi da França, quando Napoleão ganhou a primeira campanha na Itália, depois foi da Áustria, formando o Reino Lombardo-Vêneto, até se tornar da Itália em 1866 com a unificação trazida pelo Risorgimento.

Mas será que a autoridade pública está preparada para esta interação direta? Esta transparência total? Se quem elegemos deveria atender a vontade de quem votou nele, por que após ver o resultado da vontade popular o governo italiano reagiu alegando ilegalidade pois o plebiscito online não teria poder constitucional imediato?

Este medo do poder da cidadania digital já afeta o plebiscito no Reino Unido, sobre a separação da Escócia, que deve ocorrer até setembro deste ano. O governo britânico exige que a consulta seja limitada a apenas uma pergunta sobre separação e que ocorra rapidamente. Segundo o primeiro-ministro britânico David Cameron, que é contra a separação, a demora gera incerteza e prejudica o investimento na economia escocesa.

Dependendo do resultado, o exercício de cidadania participativa que permite que cada indivíduo possa influir e afetar diretamente uma decisão política na sua cidade, estado ou país, pode ter como desfecho, como no caso do Reino Unido, que tenha que ser mudada a bandeira, já que o azul representa a Escócia.

Por certo, através das novas tecnologias amplia-se sobremaneira a própria democracia. A facilidade de acesso à internet estimula uma maior adesão às iniciativas de cidadania participativa. Se pudéssemos sempre votar pela web ou mesmo por um aplicativo baixado no celular teríamos muito mais envolvimento da população nas questões que definem a vida em sociedade.

Até na vida pessoal está mais fácil se separar pela internet. E há quem defenda a tese da separação até por WhatsApp! Onde vamos parar? Será que o Brasil está preparado para adotar cada vez mais este tipo de consulta direta através de plebiscito online?

Qual seria o resultado se hoje perguntássemos à população do Rio Grande do Sul se eles querem se separar? Será que mudou a opinião desde a Revolução Farroupilha com Garibaldi? Vamos ter coragem de perguntar? E, dependendo do resultado, de implementar? Quando a tecnologia está associada à educação o resultado final é o amadurecimento de uma nação.