OPINIÃO
12/10/2014 15:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Celular não é brinquedo

Kid with iPhone 5s smartphone checking internet and playing games. New generation addicted to Internet.
Artur Debat via Getty Images
Kid with iPhone 5s smartphone checking internet and playing games. New generation addicted to Internet.

Já houve tempo em que o respeito ao professor era algo cujo um olhar apenas seria suficiente para fazer um aluno ficar quieto em sala de aula.

A questão da disciplina e da atenção sempre foram essenciais para um bom desenvolvimento escolar. No entanto, atualmente, com os jovens brasileiros ganhando celular ao redor dos 8 anos de idade, está bem mais difícil para o professor conseguir a atenção dos alunos.

Vivemos um problema generalizado de indisciplina, onde o professor ao invés de ter o papel principal na educação, virou coadjuvante.

Muitos pais que dão um celular de presente para seus filhos de fato não refletiram sobre o efeito nocivo desta ferramenta dentro do ambiente estudantil.

E há ainda os que enviam mensagens para seus filhos durante o horário da aula. Como lidar com este problema que é de educação?

Primeiro, será que haveria uma idade mínima para alguém ganhar um celular? Afinal, celular não é brinquedo. É um equipamento que gera responsabilidade no uso tanto como um automóvel.

A indústria de telecomunicações está sendo extremamente leviana ao não informar aos pais os riscos do uso de um celular de verdade por uma criança.

Os perigos vão desde os efeitos das ondas eletromagnéticas no cérebro, da emissão de luz azul na vista, até mesmo os perigos envolvendo o fato de que ter um celular que conecta na internet, seja por 3G ou o que for significa que a criança está na rua digital, sujeita a ser abordada por um estranho que vai de um pedófilo a um sequestrador.

Mas hoje um celular é vendido e usado por um menor de idade como se fosse a coisa mais inofensiva. De quem é a culpa? Dos pais.

Cabe ao responsável legal buscar orientação sobre o que deve ser ensinado para um jovem que vai ter um celular pela primeira vez. E são dicas sobre a proteção do filho e não do equipamento.

A maioria dos pais só diz para os filhos 3 coisas: não vai gastar muito crédito, não vai deixar quebrar a telinha e não vai perder o celular.

Bem, o que foi que os pais disseram para proteger o filho? Nada! Isso é uma vergonha.

A geração atual, devido ao seu sentimento de culpa por trabalhar demais e deixar os filhos com outras pessoas, de babás às escolas integrais não estão cumprindo com seu dever legal de vigilância.

E o pior que esta omissão na educação no uso ético da tecnologia já está alcançando a universidade. Tem sido bem difícil para professores colocarem limites nos jovens adultos, maiores de 18 anos que passam a aula inteira teclando bobagens no celular. Que desperdício de tempo e de vidas.

Até os 12 anos de idade o jovem no Brasil é totalmente incapaz pelo Código Civil. Tanto é que para ele ter uma conta de celular a mesma deve ser contratada no nome de um dos pais, associada ao CPF do responsável.

Será que alguém com menos de 12 anos de fato consegue usar um celular com o cuidado necessário para não se expor, para não passar informação para outros, evitar assédios, cuidar do equipamento?

Além disso, por que alguém com menos de 12 anos, que está sempre em um local com um adulto (do contrário já configuraria abandono de incapaz), precisa realmente de um celular com tantas funcionalidades? Se for só para jogos tem outros dispositivos mais seguros.

Você daria uma Ferrari que corre a mais de 300 km por hora para seu filho como primeiro carro assim que ele tirasse a carteira de motorista e ainda estivesse aprendendo a dirigir? Então será que precisa dar de cara o último modelo de smartphone com recursos que nem os pais sabem mexer?

Precisamos resgatar a disciplina na sala de aula e o celular está sendo o grande vilão dos últimos anos. Uma pessoa que usa demasiadamente o celular desde a infância está sujeita a desenvolver vício tecnológico.

Logo, celular é assunto sério. Não é uma bicicleta. Tem regras de uso, pode gerar danos. As autoridades públicas deveriam exigir uma campanha de conscientização sobre o uso seguro do celular de todas as empresas que exploram este mercado.

Ainda vale no Brasil a idéia de que se todo mundo faz então tudo bem. Neste mês das crianças, vamos refletir sobre o que estamos fazendo com este jovem ao dar uma tecnologia tão poderosa sem ensinar a usar do jeito certo.

Por último, os pais têm o dever de olhar o celular dos filhos, de saber a senha, de saber o que está ocorrendo na vida digital deles.

Quais são as fotos que ele anda tirando e compartilhando? Quem são os amigos que ele conversa no celular e via aplicativos como Whatsapp?

E acima de tudo, se ele está ou não usando indevidamente o celular na sala de aula. Como dar uma boa educação para quem não presta atenção? Os pais de hoje são responsáveis pela geração brasileira de mal educados digitais que estamos criando.

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