OPINIÃO
09/12/2014 16:06 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

No Uruguai, a Marcha das Vadias parou o trânsito

A Marcha das Vadias (Marcha de las Putas) em Montevidéu cresceu. Nessa segunda-feira, 8, a terceira edição do protesto conseguiu, finalmente, parar o trânsito ali na pista em frente à sede do Parlamento do Mercosul. Já não era mais um grupo de mulheres indignadas com a linha sutil que separa o assédio do estupro. Muito mais homens compareceram e apoiaram a causa desta vez.

Talvez tenha sido o spot exibido por um dos principais telejornais locais o responsável pelo êxito da convocatória. Talvez tenha sido o peso do relatório da ONU que aponta o Uruguai como um dos países com as taxas mais altas de violência doméstica e assassinato de mulheres da América Latina. A Marcha cresceu apesar do pouco tempo prévio de divulgação e da greve de ônibus.

Os cartazes, apesar de mais numerosos, diziam o de sempre. É que desde as declarações infelizes daquele policial canadense (de que para evitar o estupro as mulheres deviam se vestir menos como putas), em 2011, nada mudou. Pelo contrário, o machismo se revela cada vez mais presente quando saem resultados de pesquisas sobre comportamento adolescente ou vídeos de homens que assediam a própria mãe sem perceber na rua.

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Chega a ser redundante destacar frases ou descrever jovens que despiram e pintaram o dorso. Mudam o nome das ruas, a cidade-palco, as feições e os braços que carregam a indignação estampada. Mas a reivindicação é a mesma em Montevidéu ou Londres, São Paulo, Lima ou Toronto porque as práticas de abuso transcendem fronteiras e diferenças culturais.

Parece que já faz muito tempo que aquele policial canadense resumiu a estrutura e o pensamento de uma sociedade universalmente machista em algumas poucas palavras. Mas ver a III Marcha das Vadias triplicar de gente apesar das adversidades do dia na capital uruguaia mostra que não dá pra esquecer e não dá pra parar.

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