OPINIÃO
24/02/2016 16:04 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Universidade pra quê?

Ao colocar a diversidade de seus ricos conhecimentos a serviço da sociedade, as universidades cumpririam mais amplamente sua missão de serem parceiras na construção de um País melhor para todos e para as atuais e futuras gerações. As eleições de 2016 são uma grande oportunidade para que estes conhecimentos se tornem práticas nas políticas públicas das próximas administrações municipais.

As universidades brasileiras, regra geral, reúnem em seu corpo docente e discente (professores, alunos e pesquisadores) uma boa parte dos talentos da nossa sociedade. O conhecimento acadêmico se espalha em inúmeras áreas: saúde, educação, habitação, transporte, economia, ciência em geral, produção, administração pública e privada, direito público e privado, urbanismo, entre outros.

Muitas destas universidades têm parceiras internacionais que facilitam a troca de conhecimentos entre alunos e professores. Mas esta imensa riqueza de conhecimentos, este fantástico potencial, tem contribuído na sua plenitude para melhorar o País?

Acredito que não.

Sabemos que uma boa parte da produção científica não ultrapassa os muros da academia.

A grande maioria de nossas lideranças políticas é constituída de pessoas com poder de mobilização, de articulação, de comunicação que lhes permitiu, com carisma e faro, galgar posições na hierarquia política partidária e ganhar eleições. Entretanto, ao serem eleitos, deparam-se com o desafio de colocar em prática suas propostas, seus planos.

A constituição das equipes, ministros, secretários, assessores, segundo escalão, é pautada muitas vezes por acordos partidários e por compromissos assumidos com seus apoiadores durante a campanha eleitoral. Não são em geral constituídas por pessoas com notório saber de suas áreas.

Os baixos salários da administração pública inibem e acabam por afastar os grandes talentos, já que estes conseguem uma remuneração muito maior na iniciativa privada. Por isso, muitos administradores e dirigentes públicos, com honrosas exceções, têm muita dificuldade de contratar gente competente.

Não é por acaso que no Brasil, que tem uma das maiores cargas de impostos do mundo, as políticas públicas são em geral de muito baixa qualidade. Tanto é que as pessoas de maior renda recorrem a serviços privados.

Os conhecimentos acumulados nas universidades brasileiras poderiam dar uma enorme contribuição para melhorar a qualidade dos nossos serviços públicos. As eleições municipais de 2016 oferecem esta oportunidade. Cada universidade poderia mobilizar seus professores, pesquisadores e alunos para produzir propostas para melhorar a sua cidade, as cidades vizinhas e até mesmo todas as cidades brasileiras.

Estas propostas, nas áreas de educação, saúde, mobilidade, habitação, planejamento urbano, meio ambiente, cultura, esporte, energia, crianças e adolescentes, economia, resíduos e tantas outras, seriam colocadas à disposição da sociedade, dos meios de comunicação e de todos os candidatos e partidos políticos.

Após recolher as propostas dos seus professores, alunos e pesquisadores, cada universidade poderia organizar um seminário para colocar publicamente suas propostas.O debate político teria maior conteúdo fugindo da superficialidade e casuísmo habituais. Após as eleições, as universidades poderiam e até deveriam se tornar parceiras dos eleitos para implementar tais propostas.

Ao colocar a diversidade de seus ricos conhecimentos a serviço da sociedade, as universidades cumpririam mais amplamente sua missão de serem parceiras na construção de um País melhor para todos e para as atuais e futuras gerações. As eleições de 2016 são uma grande oportunidade para que estes conhecimentos se tornem práticas nas políticas públicas das próximas administrações municipais.

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