OPINIÃO
27/05/2014 09:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

O que é (e o que não é) sustentabilidade

O conceito de "sustentabilidade" ainda é pouco compreendido tanto por quem fala sobre quanto por quem ouve, gerando distorção no seu significado, que passou a ser associada tão somente às questões ambientais.

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Embora em voga nos mais variados meios, o conceito de "sustentabilidade" ainda é pouco compreendido tanto por quem fala sobre quanto por quem ouve. Nos últimos anos intensificou-se a discussão a respeito do aquecimento global e do esgotamento dos recursos naturais. Preocupações legítimas e inquestionáveis, mas que geraram distorção no significado de sustentabilidade, já que esta passou a ser associada tão somente às questões ambientais.

Não é só isso. A sustentabilidade está diretamente associada aos processos que podem se manter e melhorar ao longo do tempo. A insustentabilidade comanda processos que se esgotam, não se mantêm e que tendem a morrer. E isto depende não apenas das questões ambientais. São igualmente fundamentais os aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais.

Entretanto, mais do que definir o conceito, sustentabilidade e insustentabilidade se tornam claras quando traduzidas em situações práticas:

  • Esgotar recursos naturais não é sustentável. Reciclar e evitar desperdícios são sustentáveis. Corrupção é insustentável. Ética é sustentável. Violência é insustentável. Paz é sustentável.
  • Desigualdade é insustentável. Justiça social é sustentável. Baixos indicadores educacionais são insustentáveis. Educação de qualidade para todos é sustentável.
  • Ditadura e autoritarismo são insustentáveis. Democracia é sustentável.
  • Trabalho escravo e desemprego são insustentáveis. Trabalho decente para todos é sustentável.
  • Poluição é insustentável. Ar e águas limpos são sustentáveis. Encher as cidades de carros é insustentável. Transporte coletivo e de bicicletas é sustentável.
  • Solidariedade é sustentável. Individualismo é insustentável.
  • Cidade comandada pela especulação imobiliária é insustentável. Cidade planejada para que cada habitante tenha moradia digna, trabalho, serviços e equipamentos públicos por perto é sustentável.
  • Sociedade que maltrata crianças, idosos e deficientes não é sustentável. Sociedade que cuida de todos é sustentável.

Evidências e dados científicos mostram que o atual modelo de desenvolvimento é insustentável, ameaçando inclusive a própria sobrevivência da espécie humana.

Provas não faltam:

  • Destruímos quase a metade das grandes florestas do planeta, que são os pulmões do mundo.
  • Liberamos imensa quantidade de dióxido de carbono e outros gases causadores de efeito estufa, num ciclo de aquecimento global e instabilidades climáticas.
  • Temos solapado a fertilidade do solo e sua capacidade de sustentar a vida: 65% da terra cultivada foram perdidos e 15% estão em processo de desertificação.
  • Cerca de 50 mil espécies de plantas e animais desaparecem todos os anos e, em sua maior parte, em decorrência de atividades humanas.
  • Produzimos uma sociedade planetária escandalosa e crescentemente desigual: 1.195 bilionários valem, juntos, 4,4 trilhões de dólares, ou seja, quase o dobro da renda anual dos 50% mais pobres. O 1% de mais ricos da humanidade recebe o mesmo que os 57% mais pobres.
  • Os militares somam 1,464 trilhões de dólares por ano (e crescem a cada ano), equivalentes a 66% da renda anual dos 50% mais pobres.

Este cenário pouco animador mostra a necessidade de um modelo de desenvolvimento sustentável. Cabe a nós torná-lo possível e viável.

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