Comportamento

Nunca fomos tão infelizes. Eis o porquê

O Brasil é osso desde sempre. Mas não consigo pensar num momento mais depressivo em nossa História – e acho que não estou sozinho.
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A depressão crônica se abate sobre o Brasil.
A depressão crônica se abate sobre o Brasil.

O título pode parecer exagerado. O Brasil, afinal de contas, é osso desde sempre. Mas não consigo pensar num momento mais depressivo em nossa História – e acho que não estou sozinho.

O Datafolha do final de junho perguntou a 2,7 mil pessoas sobre a imagem do País. 81% citaram aspectos negativos. 47% disseram ter vergonha de ser brasileiro. Não é preciso ir longe, faça o teste. Pergunte a um conhecido se ele ou ela está feliz. Aliás, pergunte a si próprio: você está feliz?

A resposta pode até começar positiva caso você tenha motivos pessoais para estar bem. Porém inevitavelmente deriva para um "mas..." e aí vem a lembrança da atual crise política, econômica e social. A impressão é que estamos todos cansados, ou deprimidos, ou decepcionados, ou irritados. Ou todas as anteriores. Ninguém, enfim, passa imune ao mal-estar que nos rodeia.

O caos não chega a ser novidade. Só nos últimos 50 anos, tivemos ditadura, hiperinflação, moratória, planos econômicos fracassados, dois presidentes impedidos e um que morreu antes de assumir. Ainda assim, penso que há algo de novo – tristemente novo – nos tempos bicudos em que vivemos. Trata-se da conjugação, inédita a meu ver, de três fatores geradores da megadepressão que nos rodeia.

Falta de esperança

Em outras épocas de dificuldade, por mais que a situação fosse complicada, havia a crença em um futuro melhor. "Amanhã vai ser outro dia", dizia Chico Buarque em seu Apesar de Você, hino de protesto contra o Regime Militar. Essa chama se esvaiu.

Na economia, diz-se que a retomada consistente vai demorar alguns anos, no melhor dos casos. E na política, as opções viáveis oscilam entre o requentado, o mais do mesmo, o autoritarismo conservador e o velho em roupa de novo. Você vê algo de diferente no horizonte? Eu, não. Sinto conformismo no ar, e em todos os casos, o medo vencendo a esperança, numa inversão do slogan vitorioso de Lula em 2002.

Ódio social

Começamos com a divisão entre coxinhas e petralhas. Pode-se argumentar que não é uma novidade e que se trata apenas de uma reedição da clivagem entre esquerda e direita.

Mas, amplificado pelo ódio das redes sociais, o fosso entre os dois lados aumentou, a ponto de o diálogo ter se interrompido – as famosas "bolhas" de informação estão aí para comprovar. Alguém disposto a fazer a ponte? Ninguém, ainda, teve sucesso.

E o que é pior: hoje observam-se divórcios também nos diferentes polos ideológicos. As esquerdas não se entendem, e as direitas também não. Cada um carrega sua bandeira sozinho, sem muita força para as lutas necessárias e sem grande interesse em escutar o que pedem possíveis aliados.

O baixo nível do debate público

Na gritaria por atenção instantânea, ofender se tornou mais importante do que conversar e expor ideias de forma racional e razoável. A tendência, que vem do século passado, ganha feições ferozes na arena do Facebook.

A forma, polêmica e agressiva, toma o lugar do conteúdo. Quanto a ele: onde estão as ideias? Quem está pensando nosso país? Onde estão os grandes projetos? As visões de futuro e suas conexões com o presente e o passado, de modo que se possa imaginar o que vem por aí? Essas vozes existem, claro. Mas, hoje, se encontram silenciadas pelos brucutus da opinião fácil.

E você, como vê nossa situação? Temos saída? Em caso afirmativo, por onde começar?

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