OPINIÃO
21/06/2014 14:35 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:44 -02

Terrorismo na área da saúde

O mecanismo para conquistarmos o tal do "corpo perfeito" (que não existe...) é o mais absoluto terrorismo: inflexibilidade, exageros, flerte com a dor, culpa, tortura, punição e ridicularização do outro.

Permita me apresentar. Sou estudante de nutrição na Universidade Federal do Paraná (UFPR), estou a caminho dos estágios obrigatórios e dentre alguns meses estarei formada e autorizada para exercer a profissão de nutricionista.

Só que eu penso um pouco diferente.

Estou muito preocupada com um fenômeno social que não para de reunir adeptos e que causa impacto e muito sofrimento nas vidas humanas: o culto ao corpo. "Culto ao corpo" pode ser traduzido como uma fixação, preocupação e verdadeira obsessão com a "tríade" magreza, beleza e juventude.

Pode parecer chocante, mas nenhum dos elementos dessa tríade significam saúde. Mas estão disfarçados dentro do discurso de "Saúde & Bem Estar" na televisão, na internet, nos anúncios, nas revistas, nos produtos para emagrecimento e fitness e principalmente: nas palavras erroneamente motivadoras dos profissionais da nutrição e da educação física.

A verdade é que a razão para adotarmos um estilo de vida saudável tem sido, precisamente, a manutenção de uma boa aparência, a busca por um corpo dentro dos parâmetros que a sociedade determinou como "bonito". Atualmente uma fotografia vale mais do que um exame de sangue ou um teste de aptidão física.

A glória não é ser saudável. A glória não é ter um organismo equilibrado. A glória é ter um corpo bonito, publicar a foto nas redes sociais e esperar pelas curtidas.

O mecanismo para conquistarmos o tal do "corpo perfeito" (que não existe...) é o mais absoluto terrorismo: inflexibilidade, exageros, flerte com a dor, culpa, tortura, punição e ridicularização do outro.

"No Pain No Gain" é a filosofia que impera e que divide o mundo todo dentro de uma grande dicotomia: os magros-bonitos-vencedores e os gordos-feios- perdedores. E se você questionar, sofre a acusação de ser um "recalcado".

Eu não acredito nessa dicotomia. Eu acredito que existe uma diversidade imensa de constituições corporais, desejos, perfis e preferências alimentares. E mais, defendo que nós não existimos no mundo para sermos observados pelos outros. Nossa tarefa na vida não é fazer a manutenção da nossa aparência (dentro de critérios inatingíveis...) para agradar o olhar alheio.

Por esta razão, há dois anos eu criei o blog "Não Sou Exposição", que inicialmente era um espaço pessoal para desabafos e hoje eu mal dou conta sozinha da administração.

Tudo indica que estamos cansados de: ditadura da "barriga chapada" (a barriga fumou maconha?), veneração da massa magra, blogueiras fitness leigas falando bobagem na internet.

Não tá fácil para ninguém. E ainda por cima tomamos bronca no mural do Facebook porque não frequentamos a academia. Procura um discurso diferente? Clica aqui.

Nota de Esclarecimento: Eu NÃO faço apologia à obesidade. NÃO sugiro que obesos se mantenham obesos. NÃO nego que o excesso de peso faz mal para a saúde. NÃO nego a importância da atividade física. NÃO estou sugerindo que as pessoas se alimentem exclusivamente de fast-food.

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.

Para saber mais rápido ainda, clique aqui.