Opinião

Um guerrilha contra o bullying das revistas femininas - bora se alistar?

Eu juro que tentei fazer umas cinco dietas, juntar dinheiro pra um vestido de R$ 500 e agarrar homens com ao menos uma das dicas dadas pelas revistas femininas. Aí deu aquele estalo, momento de epifania gênio: por que, raios, eu ainda estava tentando ser a mulher ideal pregada por essas revistas se elas claramente não eram escritas pra mim?
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Eu juro que tentei fazer umas cinco dietas, juntar dinheiro pra um vestido de R$ 500 e agarrar homens com ao menos uma das dicas dadas pelas revistas femininas. Aí deu aquele estalo, momento de epifania gênio: por que, raios, eu ainda estava tentando ser a mulher ideal pregada por essas revistas se elas claramente não eram escritas pra mim?

Então eu olhei pro lado, pras mulheres mais próximas. A minha irmã, uma guria de rosto angelical e diva daquelas que sabe fazer olho de gato com delineador sem borrar(!), também sofria porque as revistas femininas diziam que ela estava acima do peso. Uma das minha melhores amigas, a Aline, sequer as abria porque ela, coitada, ainda por cima era negra de "cabelo pixaim que precisava ser domado". E mesmo uma das minhas parceiras de vida mais bem sucedidas nos padrões de beleza, a Tamy, uma menina magérrima de cabelos castanhos claros compridos, não era a mina da revista: ela não ligava nem um pouco em conquistrar caras porque gostava mesmo era de meninas. As revistas femininas não eram escritas pra nenhuma mulher que eu conheço!

E olha a diva do Youtube, a Luisa Marilac (se isso é estar na pior, porran!), ela é tão mulher e também ficou de fora das páginas sobre táticas esquisitas para atingir o orgasmo enquanto parece uma musa-malhada-encolhendo-a-barriga-numa-lingerie-de-800-reais. Afinal, o orgasmo dela era tão diferente do de mulheres que nasceram com uma vagina.

Aí eu revoltei, revolta assim, tipo dia de fúria. Essas p*#¨& dessas revistas tinham arruinado a vida de todas as mulheres que eu amava! Falando em tom amigo e voz suave, elas nos fizeram achar que éramos feias porque não tínhamos as pernas da Ivete Sangalo ou a cintura da Angélica. Elas entraram na nossa casa nos dizendo que tínhamos que fazer dietas pouco saudáveis que nunca pagaram com os resultados prometidos. Elas nos fizeram assustar uma porrada de homens com delírios de sedução que incluíam fazer barulho de motor no meio do sexo oral (até hoje estou tentando entender essa). E, para as meninas ainda jovens, elas justificaram porque os garotos gostam tanto de passar a mão na sua bunda sem permissão - como se isso não fosse um ato criminoso, mas uma travessura comum a todos os bons rapazes. Sem contar as chamadas de capa, que são sempre mentirosas - e eu nunca encontrei os 500 looks prometidos nas redições especiais.

Mas nem tudo está perdido, cara amiga mia. O que a gente fez foi juntar um bando de minas maneiras, jornalistas e artistas talentosas aí desse nosso Brasil, essa ativista do Não Mereço Ser Estuprada que vos escreve e um bando de mulher que você já ama na internet, como a Lola e a Marilac, pra criar uma guerrilha do bem!Nossa guerrilha quer fazer a primeira revista feminina que seja pra você de verdade, AzMina - para mulheres de A a Z. A ideia, em geral, é não te dizer que tipo de mulher você deve ser, mas te dar as ferramentas pra você decidir sozinha. O vídeo acima explica bem o nosso recado!

Mas pra fazer esse jornalista maneiro, independente, girl power e olha-eu-musa-meu-bem, a gente precisa do seu voto de confiança. Bota sua moedinha no nosso porquinho? O crowdfunding pra fazer um lance ambicioso desses é gordo, mas nós temos certeza que sua vontade de ser representada de verdade numa revista que ache que você tem um cérebro é maior ainda. Vem pro abraço?


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