OPINIÃO
23/06/2014 09:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:44 -02

Sua filha pode ser o próximo Neymar!

Excelência esportiva exige investimento financeiro, cultural e emocional. Nossas meninas não têm nenhum dos três. Que tal começar pegando agora sua filhinha para brincar de gol a gol?

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Durante os jogos basta olhar para o lado: sua mãe vibra, sua namorada vibra, a desconhecida sentada na mesa do bar vibra. Ou seja: mulheres gostam de futebol. Elas, no entanto, não têm tanta atenção na Copa do Mundo de futebol feminino - e todo mundo menospreza sua capacidade de jogar ou mesmo entender o que é um impedimento. No país do futebol, a mulher ficou de fora da alegria nacional.

Outro dia, aliás, perguntaram ao "brilhante" Sepp Blatter, presidente da FIFA, como o futebol feminino poderia ser mais popular. Ele respondeu que bastava colocar as jogadoras em shorts mais curtos. (Não esperava nada muito inteligente de Blatter, mas essa ganhou o recorde da estupidez).

Agora, faça um exercício e cite na sua cabeça 10 craques do futebol feminino. Aposto que muitos não conseguem nem ir além do nome Marta. Outro exercício: você sabe quando será a próxima Copa do Mundo Feminina? Onde será?

Atribuo esse problema a uma série de razões de política pública e culturais. Para começar, nós não ensinamos nossas meninas a jogar futebol. Não tem nada a ver com sua forma física ou potencial, uma vez que temos, por exemplo, atletas mulheres com incrível capacidade física no atletismo, natação, ginástica olímpica, vôlei e outros esportes. Mulheres com força, velocidade, habilidade e inteligência tática.

Nós não as ensinamos, na verdade, porque valorizamos uma ideia conservadora (e machista) de mulher "delicada, doméstica e que não transpira". Acreditamos que mulheres devem ganhar bonecas de presente, para aprenderem a ser mães, em vez de bolas para aprenderem a ser jogadoras.

Os pais também não levam suas garotinhas ao estádio e não as ensinam as regras do jogo porque acham que elas não são capazes de compreendê-las ou sequer se interessar por elas. Se nossas meninas são as melhores em todos os níveis escolares, o que faria alguém pensar que não têm intelecto suficiente para entender algo tão simples quanto uma formação ou um impedimento?

Finalmente, comparemos quanto dinheiro o governo investe no futebol masculino (basta pensar nos bilhões desta Copa do Mundo) e quanto dedica a meninas que sonham em serem Martas quando crescerem.

Excelência esportiva exige investimento financeiro, cultural e emocional. Nossas meninas não têm nenhum dos três. Que tal começar pegando agora sua filhinha para brincar de gol a gol ou explicar para ela a formação do Brasil na próxima vez que sentarem para ver um jogo da Copa? Nunca se sabe, ela pode ser o próximo Neymar.

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