OPINIÃO
20/05/2015 14:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Luisa Marilac vira colunista de revista feminina

Luisa Marilac definitivamente não está na pior. Depois de virar hit no Youtube, da Europa para o Brasil, a travesti mais simpática do mundo cibernético topou um novo desafio: vai ser colunista de uma revista feminista gratuita.

Luisa Marilac definitivamente não está na pior. Depois de virar hit no Youtube, da Europa para o Brasil, a travesti mais simpática do mundo cibernético topou um novo desafio: vai ser colunista de uma revista feminista gratuita, a Revista AzMina - para mulheres de A a Z. A publicação, que está coletando doações para poder sair do (ou melhor, ir para) o papel, tem o objetivo de dar voz a uma variedade de mulheres.

E não para por aí: a ambição de Luisa é usar a coluna para conscientizar o mundo trans sobre automedicação e desestimular implantes pouco seguros. "Quero que minha coluna seja um serviço social". Em entrevista regada a risos e piadas (Luisa é uma delícia de pessoa), ela fala sobre o projeto da revista e sobre tudo que tem a dizer. "Vou mostrar que, como mulher, eu sou capaz de ser jornalista!"

Luísa, o que te faz mulher apesar de ter nascido num corpo biologicamente masculino?

Ai que pergunta difícil! (risos) O que me faz ser mulher é a mulher. É a inspiração que as mulheres me causam e sempre me causaram. Na feminilidade, na forma de pensar, no jeito de agir, no caráter, na maturidade. Mas o que me fez perceber mesmo que tinha algo de verdade diferente entre eu e outros meninos foi o programa da Xuxa, sabia? Eu queria ser Paquita, me imaginava do lado dela, dançando... Essa inspiração que me fez entender quem eu era e quem queria ser. Mas não como personagem, como mulher. Queria ser daquelas meninas lindas, bem vestidas, cabelo bem arrumado. Me encantava. Minha irmã ganhou uma boneca da Xuxa que eu não deixava nem ela encostar! (risos) Sabe, a gente, às vezes, não nasce com o corpo, mas nasce com a cabeça feminina.

Por que você topou participar do Projeto da Revista AzMina?

Eu me apaixonei pelo projeto porque ele vai falar para a mulher brasileira, não aquele estereótipo europeu de mulher loirinha de cabelo liso. Vai escrever pra mulher magra, mulher gorda, mulher preta, mulher branca, mulher rosa. Pra mulheres como eu: porque mulher não se nasce, se faz também, né? As revistas de hoje falam apenas pras mulheres magrinhas de cabelo liso. Tem que falar PRA TODAS! Praquela mulher que tem uma celulite, um cabelo crespo ou grisalho.

Essa revista vai bombar, com a Graça de Deus! Já está bombando, mas vai bombar ainda mais! Queremos estourar e vamos botar pra quebrar!

Sobre o que você vai escrever na sua coluna?

Eu tenho um monte de projetos legais pra ela. Quero ensinar muitas coisas que aprendi nessa vida com as travestis. Por exemplo, em vez de se automedicar e tomar hormônio, procurar um endócrino. Fazer as coisas certinho para, no futuro, não prejudicar a saúde nem se sentir mal com quem é. Eu quero fazer um serviço comunitário! Quero ajudar muita gente, como venho tentando fazer no meu canal do Youtube. Mas não quero me firmar só nesses temas. Eu também quero falar de tudo, tocar todos os assuntos. Quero cobrir assassinatos, se tiver algo legal relacionado à mulher trans, quero cobrir também. Quero dar visibilidade a este meio que é tão apagado!

Parece então que você está descobrindo uma repórter em si, heim?

Sabe que nunca tive esse sonho? Viajei a Europa inteira e não me preocupei nem em fazer uma foto! Mesmo em pontos turísticos. Aí, motivada por uma amiga, postei o vídeo na piscina, me arrependi, tirei do ar, postei de novo, recusei fazer parte da Fazenda. Mas fazendo parte desse meio de mídias, peguei gosto pela coisa. E também passei a ser muito cobrada. Eu nunca pensei que eu era a responsável a dar voz às travestis, mas acabei me tornando uma referência, bem ou mal. Com tantos convites para entrevistas e tanta luta, as travestis acabaram me ouvindo.

Eu queria que minhas sobrinhas vivessem como eu vivi lá do outro lado (na Europa) sem violência e sem essa marginalidade toda que tem pras mulheres aqui no Brasil. O que eu puder fazer pelo Brasil e, principalmente, pelas travestis, que são gente raça e carente de atenção do governo, será um prazer. Vou me botar corpo e alma nesse projeto e provar que, como mulher, eu também sou capaz (de fazer jornalismo).

O que você está planejando pra sua primeira coluna?

Quero entrevistar a mãe de uma travesti que conheço que a filha tomou um tiro. Aquela ali não tem um preconceito e é uma guerreira. E, de alguma forma, fazer uma homenagem a todas as mães de travesti.

Se você gostou do projeto da Marilac, colabore com ele.