OPINIÃO
01/09/2015 12:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

AzMina estreia novo conceito de revista feminina no Brasil

As revistas tradicionais fazem as leitoras se sentirem feias e inadequadas, mas nas páginas de AzMina, haverá espaço para todas as etnias e tipos físicos - sem Photoshop.

Depois de arrecadar R$50 mil em uma campanha de financiamento coletivo que contou com o apoio de personalidades como Jean Wyllys, Gregorio Duvivier, Laerte e Eliane Brum, a revista digital gratuita "AzMina - para mulheres de A a Z" estreia nesta terça (1º). A publicação visa a dar voz às mulheres que não se sentem representadas pelas revistas femininas atualmente no mercado.

As revistas tradicionais fazem que as leitoras se sintam feias, inadequadas e presas no corpo errado, mas nas páginas de AzMina, haverá espaço para todas as etnias e tipos físicos - sem Photoshop.

Já no primeiro ensaio de moda, mulheres "reais" de belezas diversas vestem versões modernas e acessíveis dos looks de grandes mulheres da História.

O conteúdo da revista também passará longe dos manuais do tipo "35 dicas para enlouquecer seu homem na cama" e "como emagrecer 4kg em um mês". A ideia não é dizer às mulheres o que fazer, mas sim dar ferramentas para que elas se empoderem e se transformem na melhor versão de si mesmas.

As matérias da primeira edição destacam os feitos de mulheres inspiradoras, como Sochua Mu, uma ativista cambojana que ajudou a eleger outras 900 mulheres.

Mas nem só de histórias felizes será feita AzMina: o carro-chefe da edição de estreia é uma grande reportagem investigativa, feita na China, sobre as condições precárias de trabalho em fábricas de roupas que fornecem para as redes mundiais de fast fashion, com fotos que provavelmente farão as leitoras pensarem duas vezes antes de comprar a próxima blusinha em promoção.

AzMina será também a primeira revista feminina a contemplar lésbicas e o público transgênero.

Luisa Marilac, que ficou conhecida pelo vídeo em que bebe seus "bons drink" em uma piscina na Espanha e hoje mora em Guarulhos, assinará a coluna "Mulher, Trans". Ela começa conversando com mães de travestis que sofrem com o preconceito e violências a que são submetidas suas filhas.

Outra colunista da revista é a professora universitária Lola Aronovich, conhecida pelo famoso blog feminista Escreva, Lola, Escreva.

Novo modelo de negócio

A revista inaugura também um novo modelo de negócio que deve garantir liberdade editorial à primeira revista feminina sem fins lucrativos do mercado. 

As revistas femininas tradicionais se alimentam da insegurança feminina para que seus anunciantes possam vender mais.

Há muito tempo, quem paga a conta dessas publicações são os anunciantes e não as leitoras. Na hora de escolher a quem servir, pra onde será que elas pendem?

A ideia é apostar em um modelo de captação misto, em que crowdfundings contínuos, editais, fundos de ONGs de estímulo ao empoderamento feminino e anúncios "amigos da mulher" dividam a conta.

AzMina terá também uma loja virtual com camisetas, porta-cervejas e outros itens.

Essa é a sua maneira de equilibrar novamente o poder dentro do jornalismo, diversificando as fontes de receita.

Já existem diversas boas iniciativas apostando nessa linha, como a Agência Pública de Jornalismo e a revista Capitolina, uma espécie de AzMina para adolescentes.

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