OPINIÃO
09/09/2014 15:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

ONU pretende realizar encontro de alto nível sobre resposta ao ebola

DOMINIQUE FAGET via Getty Images
Health workers, wearing Personal Protective Equipment (PPE), arrive with a potentially contaminated patient on September 7, 2014 at Elwa hospital in Monrovia, which is run by the non-governmental French organization Medecins Sans Frontieres (Doctors without Borders -- MSF). US President Barack Obama said in an interview aired on September 7 the US military would help in the fight against fast-spreading Ebola in Africa, but warned it would be months before the epidemic slowed. The tropical virus, transmitted through contact with infected bodily fluids, has killed 2,100 people in four countries since the start of the year -- more than half of them in Liberia. AFP PHOTO / DOMINIQUE FAGET (Photo credit should read DOMINIQUE FAGET/AFP/Getty Images)

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, está planejando convocar um encontro de alto nível sobre uma resposta internacional ao surto de ebola. A informação foi divulgada em nota pelo porta-voz de Ban, Stephane Dujarric, nesta terça-feira.

Segundo a nota, Ban Ki-moon telefonou na segunda-feira para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para debater vários temas como a situação no Iraque e na Síria. Na mesma chamada, ele contou ao presidente americano que pretende convocar a reunião sobre o ebola durante os debates de líderes internacionais, marcados para começar em 24 de setembro.

A proposta de Ban é formar uma ampla parceria internacional para obter o apoio de governos, do setor privado, de ONGs e instituições acadêmicas.

Soldados de Paz

O ebola já matou mais de 2,1 mil pessoas, a maioria na Libéria. De acordo com a representante especial de Ban no país africano, Karin Landgren, o total de mortes pelo ebola na Libéria era de 1,2 mil, nesta terça-feira.

Landgren divulgou a informação a correspondentes estrangeiros, que a aguardavam na frente do Conselho de Segurança, após uma reunião com os 15 países-membros do órgão, sobre a situação no país africano.

A ONU mantém uma presença na Libéria com a Unmil, que abriga soldados de paz e funcionários civis. A chefe civil da Unmil contou que o Conselho de Segurança está preocupado com o surto do ebola. E Karin Landgren avisou que o assunto é mesmo grave lembrando que a Libéria precisa do apoio internacional que está sendo conclamado para conter o surto.

Para Landgren, a crise do ebola tornou-se complexa com implicações políticas, sociais, econômicas e de segurança, que deverão permanecer mesmo depois da atual emergência de saúde. A chefe da Unmil afirmou que o ebola é a maior ameaça que a Libéria enfrenta desde a guerra civil.

Landgren disse ainda que uma das maiores causas de contaminação está justamente no cuidado que se dá aos doentes. Ela explicou que muitos familiares, no início, hesitavam em levar os parentes para um centro de tratamento, preferindo cuidar deles em casa.

Mas devido aos altos índices de contaminação, a família agora começa a entender que tem que levar o doente para o hospital. Karin Landgren disse que outra grande fonte de contaminação se dá nos enterros de pacientes de ebola.

Muitas pessoas, que comparecem aos sepultamentos, voltam contaminadas, reforçando o ciclo de novas infecções.

Ao comentar as medidas de informação para os integrantes das forças de paz, Landgren disse que é a primeira vez que uma operação da ONU ocorre no meio de um surto como o ebola.

Viagem

A chefe da Unmil disse que divulgou uma série de diretrizes desde março para as tropas de paz, e que os boinas-azuis têm que medir a temperatura para evitar qualquer risco.

Para Landgren, a presença das forças de paz no país são ainda mais importantes num momento de crise como o atual.

Nos próximos dias 11 e 12, o subsecretário-geral de Operações de Paz da ONU, Hervé Ladsous, irá à Libéria para encontros com autoridades do país e integrantes da Unmil para debater o combate ao surto.

Na semana passada, o chefe da ONU, Ban Ki-moon, pediu a companhias aéreas de transporte marítimo que não suspendam as viagens para a África Ocidental. Segundo ele, a medida só irá prejudicar o socorro aos doentes.

Ainda na segunda-feira, a ONU nomeou o cientista político americano Anthony Banbury para o posto de vice-coordenador e gerente de operações de crise para ebola. Ele deverá chefiar o escritório em Nova York.

O coordenador principal é o médico David Nabarro, que está atuando com a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, em Genebra, para ajudar a combater o surto.

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