OPINIÃO
24/08/2014 10:38 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Grávida de quíntuplos, síria fugiu a pé de extremistas no Iraque

Durante dois dias, a síria Taman, grávida de quíntuplos, e o marido dela caminharam vários quilômetros a pé do norte do Iraque em direção à fronteira com a Síria. Era a segunda vez, em menos de um mês, que o casal era forçado a abandonar a casa, rumo ao oeste, para escapar da violência de extremistas do grupo Estado Islâmico.

UNHCR/ONU

Durante dois dias, a síria Taman, grávida de quíntuplos, e o marido dela caminharam vários quilômetros a pé do norte do Iraque em direção à fronteira com a Síria. Era a segunda vez, em menos de um mês, que o casal era forçado a abandonar a casa, rumo ao oeste, para escapar da violência de extremistas do grupo Estado Islâmico.

A violência, aliás, foi o motivo que levou Tamam e o marido a se mudarem para o Iraque em 2013. Na época com 26 anos, ela deixou sua terra natal para recomeçar a vida em Mossul, a segunda maior cidade do país.

Numa tradução livre em árabe, o nome dela significa "está tudo bem", um desejo que Tamam queria tornar realidade na nação vizinha.

Ultimato

Mas os avanços dos extremistas do grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante, em direção a Mossul, puseram um ponto final nos sonhos de paz da jovem família yazidi.

Somente por pertencer a esse grupo étnico minoritário, Tamam e o esposo tiveram suas vidas ameaçadas. Ao entrar em Mossul, os extremistas do Isil deram um ultimato aos cristãos e aos yazidis para se "converterem ao islamismo, pagarem um imposto ou serem executados".

A síria grávida de cinco bebês e o marido tiveram que buscar outro porto seguro. Desta vez, nas montanhas de Sinjar, uma região no norte do Iraque e familiar aos yazidis. Uma solução que duraria somente pouco mais de um mês. Ao ouviremrelatos de que os militantes do Estado Islâmico estavam a caminho também de Sinjar para aterrorizar e tomar a região, Taman e o marido decidiram fugir de novo.

Sete famílias

O plano de abandonar a segunda casa foi traçado às pressas pelo casal que se juntou a outras sete famílias para fazer o trajeto até a fronteira com a Síria. A caminhada de dois dias foi feita a pé. A um funcionário do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Tamam contou que o grupo tinha apenas uma garrafa d'água, que teve que ser compartilhada por todos.

Poucos dias depois, as milícias do Isil entraram em Sinjar espalhando o terror e massacrando cristãos, yazidis e outras minorias.

Ao retornar à terra natal, Tamam foi morar na casa dos pais. Com o marido e os irmãos desempregados, o casal continuava enfrentando dificuldades. Mas com o retorno à Síria, ela esperava ao menos ter os filhos num ambiente mais seguro.

Na última quinta-feira, 14 de agosto, Tamam foi finalmente levada a um hospital de Qamishli, no norte da Síria, com dores de parto. O estado da gravidez, de sete meses, fez com que a equipe médica decidisse por uma operação cesariana. Os cinco bebês nasceram prematuros, mas com saúde.

Um dos médicos contou ao Acnur que os quíntuplos e a mãe passam bem.

Preocupações

Após o parto, a jovem mãe de cinco filhos retornou à casa com outras preocupações. Ao ser contatada pelo Acnur, ela contou que não tem como comprar fraldas ou até mesmo o leite para os cinco porque a família está numa situação de absoluta carência financeira.

O Acnur respondeu com o envio de uma uma pequena ajuda à família, que agora mais do que triplicou de tamanho. Tamam recebeu fraldas, toalhas úmidas e uma quantia em dinheiro para recomeçar a vida ao lado dos quíntuplos em Qamishli.

O Acnur informou que está coordenando a resposta humanitária da ONU na Síria, em relação a milhares de yazidis que ainda fogem da violência no Iraque.

Na quinta-feira 21 de agosto, o Fundo das Nações Unidas para a Infância chamou a atenção para casos de assassinatos, sequestros e violência sexual contra crianças e mulheres iraquianas, vítimas dos extremistas no país.

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