OPINIÃO
13/02/2015 17:33 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Dia Mundial do Rádio mira jovens, inclusão e segurança para jornalistas

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Crianças participam de programa na Rádio Miraya, no Sudão do Sul. Foto: ONU

A Organização das Nações Unidas para Ciência, Cultura e Educação, Unesco, comemora neste 13 de fevereiro o Dia Mundial do Rádio. E neste ano, o tema são os jovens.

A data foi escolhida pela Unesco por ser o dia da criação da Rádio ONU, fundada em 1946, e que tem sede em Nova York, no Secretariado da organização. Hoje, aos 69 anos, a emissora internacional está presente em cinco continentes com 11 idiomas incluindo o português. Além disso, as Nações Unidas mantêm uma rede de rádios em missões de paz, que servem de apoio na comunicação da entidade com as populações locais de países afetados por guerras e conflitos.

Campanhas de vacinação

Em mensagem sobre o Dia Mundial do Rádio, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que o veículo consegue "captar a imaginação e unir as pessoas". Segundo Ban, o rádio é ainda importante para 1,8 bilhão de mulheres e homens jovens ao redor do globo. E para a Unesco, jovens são os menores de 30 anos.

Esta é a quarta vez que a Unesco celebra o Dia Mundial do Rádio desde a criação da data por uma resolução da Assembleia Geral. Na sede da agência em Paris, as portas foram abertas para receber jovens radialistas e jornalistas das Américas, da Europa, da África e da Ásia. Muitos representam emissoras comunitárias que levam notícias úteis aos moradores como, por exemplo, sobre o exercício da cidadania, a obtenção de auxílios sociais ou como participar de campanhas de vacinação em aldeias remotas, que ajudam a salvar milhares de vidas.

Em um dos eventos, em Paris, está sendo exibido o filme "Rádio Favela", que conta a história de amigos, moradores de uma comunidade brasileira, que tentam começar uma rádio local para dar voz aos que não têm voz.

Publicidade

E é exatamente o tema da inclusão social dos jovens que chama a atenção da Unesco este ano. Segundo a diretora-geral da agência, Irina Bokova, a juventude hoje não participa da produção do rádio. Para ela, as oportunidades para esta faixa etária na comunicação também são raras. Ainda que muitos jovens se dediquem ao rádio digital, ou rádio web, como é conhecida. E nesta faixa etária, 26% têm mais tendência a ouvir as emissoras pela internet. Já na publicidade, o rádio aparenta manter sua força. Em 2013, a receita publicitária gerada pelo veículo online foi de US$ 827 milhões.

Para um dos radialistas que migraram para a publicidade, o rádio jamais decresceu em importância. Em entrevista à Rádio ONU sobre o tema, Paulo Giovanni, presidente da agência Leo Burnett Tailor Made, contou que o veículo continua sendo um dos mais procurados pelos anunciantes ao lado da TV e das mídias sociais. "O rádio continua forte, é um veículo importante e vai continuar sendo", aposta Giovanni, que, na década de 70, aos 21 anos comandava um programa com o seu nome na Rádio Globo AM, do Rio de Janeiro, ao lado de comunicadores experientes como Haroldo de Andrade e Luiz de França, nos tempos áureos da emissora comandada então pelo diretor Mario Luiz.

Janela para o mundo

Hoje, uma pesquisa da Unesco revela que mais da metade das pessoas entrevistadas em 35 países contaram ouvir rádio todos os dias. A agência da ONU estima que haja 51 mil emissoras de rádio em todo o mundo. Na África, por exemplo, 76% dos agricultores usam o aparelho em seus trabalhos. É a plataforma mais acessada também em países em desenvolvimento. E para pessoas sem escolaridade, o rádio continua sendo uma janela para o mundo. Mas o trabalho no rádio para os profissionais de comunicação nem sempre é livre de complicações.

Bokova lembrou dos perigos que muitos jornalistas correm em algumas partes do mundo pelo simples fato de exporem suas opiniões no rádio ou de investigarem casos de corrupção e irregularidades. Segundo, a chefe da Unesco, sem o jornalismo cidadão em partes remotas e perigosas do globo, a imprensa internacional não teria condições de se inteirar das notícias. Mas os riscos não são poucos: nos últimos dois anos 65 radiojornalistas foram assassinados em todo o mundo, quase metade das vítimas tinha menos de 30 anos.

Ebola

Neste Dia Mundial do Rádio, a Unesco defende o rádio para os jovens, pelos jovens e para os jovens com paz e segurança.

Para a Unesco é o poder do rádio que ajuda a quebrar o isolamento de áreas em conflito, tensões políticas e situações de crise humanitária.

Segundo a agência, o rádio também ajuda a salvar vidas como no caso da disseminação da informação e comunicação para pacientes de ebola e a população em geral, que utilizaram o rádio para receberem orientações sobre prevenção e tratamento para o surto, que já causou mais de 9 mil mortes na África Ocidental.

Para marcar o Dia Mundial do Rádio 2015, a Rádio ONU preparou uma programação especial em sua página e nas redes sociais. Várias personalidades como Gisele Bündchen, Paulo Coelho, António Guterres e Kaká falam sobre a importância do veículo que continua presente na maioria dos lares do mundo. Vida longa para o rádio!