OPINIÃO
10/10/2014 18:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Um alerta pro fim do mundo

Christophe Rolland via Getty Images

Me assustei com Deepak Chopra falando dos transgênicos, apoiando a cruzada mundial da líder indiana Vandana Shiva contra os GMO, na Conferência do Meio Ambiente, nesse início de outubro, na ONU. Do jeito que ele fala, para nós aqui do Brasil, parece que é sobre outro planeta.

A urgência em relação ao meio ambiente parece exagerada, mas não é! Nós brasileiros é que nos perdemos da agenda do meio ambiente, tão importante, porque durante esses 12 anos de PT, com Lula e Dilma, essa mesma agenda foi colocada "out of fashion", desvirtuada, desmoralizada pela agenda desenvolvimentista, que não entende quão verdadeiramente social é uma agenda ambientalista. Que vê como um estorvo os índios e as questões ambientais sérias.

Marina trouxe essa visão, em 2010, e pontuou. E voltou com toda força neste 2014 numa situação totalmente inesperada, mas foi desmoralizada, desrespeitada, assim como a mãe Terra Gaia de onde vivemos, Brasil. Isso eu não perdoo no PT, partido que vi nascer ao lado de Carlito Maia. O PT desarticulou nestes 12 anos a agenda ambiental e de sustentabilidade, impondo um modelo de matriz energética falido, um modelo de gestão falida, um modelo assistencialista falido (num pais de 202 milhões de habitantes, ter 55 milhões dependendo do bolsa família é uma coisa absurda; 1/4 da população, que poderia estar estudando, trabalhando, e que se acomoda numa vida miseravelmente fácil).

Tudo isso tem que ser modernizado e precisamos mudar muita coisa neste pais. Não sei se Aécio terá condições de fazer isso, mas espero que as lideranças nacionais se articulem num fórum nacional, sem polarizações politicas, para o bem do Brasil. Inserido nessa crise planetária global e sistêmica de várias maneiras aterradoras e que passam batido nas discussões ideológicas do dia a dia: a seca do rio São Francisco, um imenso rio totalmente brasileiro, que nasce em Minas, que estava sendo transposto (!) e está secando na fonte; o desmatamento da Amazônia, que gerou essa seca absoluta; essa falta de chuva no Sudeste (chove apenas no Sul do pais, que tem frentes frias que vêm da Patagônia); a seca do Aquífero Guarani, mamado pela Coca Cola e pela Nestlé; o uso indiscriminado de agrotóxicos pelo agronegócio, gerando uma alimentação altamente contaminada, que degenera em mais câncer nas pessoas; e a tragédia das grandes cidades, os engarrafamentos monstros que vivemos com a cultura do carro, da matriz da gasolina e do petróleo, entupindo as cidades de motores a combustão, quando muito poderia ser investido em transporte publico, dominado por uma mafia; politica energética que se parece incrivelmente com a texana de Bush, com ênfase no petróleo, pré-sal (ainda não saiu uma gota de óleo da camada de pré-sal, é mentira que já tem produção de pré-sal, o que tem é a exploração normal de petróleo nas bacias onde há óleo em grandes profundidades).

Mas a propaganda coloca de um jeito que confunde. Quando Marina falou que ia dar menos importância ao petróleo do pré-sal é porque ela sabia que é uma matriz energética do século 19. E que, para explorá-lo, talvez teria que entregar a exploração aos chineses, fora que os acidentes, possíveis a tal profundidade, seriam catastróficos.

Espero que haja uma mudança democrática por causa disso tudo. Então assistam ao Deepak Chopra com uma outra consciência. A situação aqui no Brasil em relação ao meio ambiente é como se o Titanic estivesse afundando e todos estivessem preocupados em assistir a um show ou jogar no cassino. Ou discutindo politica partidária.

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