OPINIÃO
13/10/2014 14:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

O Brasil não conhece o Brasil

ASSOCIATED PRESS
Brazil's former President Fernando Henrique Cardoso gestures prior to the presentation ceremony of the Latin American Drugs and Democracy Committee, in Rio de Janeiro, Wednesday, April 30, 2008.(AP Photo/Ricardo Moraes)

Neoliberalismo não pode ser confundido com fascismo. Sim, o governo de Fernando Henrique foi neoliberal, mas fascista? Não tem cabimento, só numa cabeça stalinista. Temos que amar e respeitar nosso processo histórico, louvar todos aqueles que lutaram, sofreram, perderam a vida, pela democracia.

Hoje fui chamada de burguesa por uma idiota no Facebook, que não tem a mínima ideia da minha história, de como participei e atuei na gestação de movimentos sociais, como o movimento negro e o movimento de mulheres, num outro momento. Meu lado espiritual começou depois de 1980, quando voltei da África e do Oriente Médio, melhor dizendo, Líbano e Síria, onde estava exilado o povo palestino. Vi tanta morte, tanta dor, nas minhas coberturas como freela, pro Globo Repórter, Folha, Isto É, fazendo documentários e entrevistando líderes como Arafat, que devo ter sido fulminada por um raio quântico e jogada num outro universo, mindfull - este aqui que vocês conhecem.

No processo de evolução da consciência, a spiral dinamics, vamos cada vez mais aperfeiçoando nossa consciência, mas incluindo e sintetizando os estagios anteriores. Eu sou uma síntese de tudo que fiz, de toda a minha história vivida: social, cultural, mental, intelectual, emocional, espiritual. Eu vivi no Brasil de 1995. Quando desconsideramos Fernando Henrique Cardoso e acreditamos que seu governo foi isso e aquilo, estamos desconsiderando nossa história, nossa luta, nossa honestidade e generosidade. Não tem cabimento; é um stalinismo querer apagar pessoas e eventos da história. Apagar sua significância, sua grandiosidade. Esse processo de desconstrução não foi inventado pelo PT; ele é usado pelos Republicanos nos EUA contra Barak Obama e no mundo inteiro pela publicidade comparativa, que destrói para se afirmar. Que diz que o outro está "out of fashion" porque quem está "in fashion" é ele.

Vejo que as pessoas com menos de 25 não sabem quem foi Fernando Henrique, não sabem o que foi viver nessa época e parecem submetidos a uma lavagem cerebral cultural nos últimos 12 anos - um projeto pessoal de Lula: desconstruir Fernando Henrique da história do Brasil como se o neoliberalismo do PSDB fosse um fascismo. Não, fascismo é outra coisa. O PSDB abriu portas e construiu pontes; evoluiu como todos nós evoluimos. Fernando Henrique com seus 80 anos, apoiando a descriminalização da maconha: isso é evoluir.

Se Dilma quer vencer e continuar o projeto do PT, que Lula e ela tenham a hombridade de serem gratos, generosos, íntegros com a história, reconhecendo a gestão anterior, porque, se vierem com as mesmas armas que usaram contra Marina, vão se dar mal. Um recurso teatral não pode ser usado duas vezes: da primeira funciona; da segunda, fica canastrão. Que discutam com Aécio um projeto para o Brasil, não se o PSDB fez isso ou fez aquilo em 1995. Vamos fazer uma campanha de alto nível, por favor.

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