OPINIÃO
19/09/2014 18:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Debate: Uma Catalunha independente seria melhor? Não

A independência seria, do meu ponto de vista, a expressão de um fracasso coletivo: a constatação de nossa incapacidade de construir, na Catalunha e na Espanha, um projeto comum em que convivem cidadãos com identidades múltiplas e sentimentos diversos.

Não sou independentista. Não por não querer o suficiente à Catalunha, mas porque creio que a independência seria altamente prejudicial para a Catalunha e para a Espanha.

Em um mundo de interdependência crescente e soberanias compartilhadas, em uma Espanha plural e diversa, levantar barreiras e divisões é um mau negócio.

O federalismo, o ideal da convivência entre diferentes, é a melhor solução para o encaixe da Catalunha na Espanha. Quero uma Espanha federal, soma de autogoverno e governo compartilhado. Quero uma Catalunha irmanada com o resto dos povos da Espanha e cuja singularidade seja plenamente reconhecida em uma Espanha nação de nações.

A perda da dimensão econômica, cultural, demográfica e política é um grave risco, tanto para a Catalunha como para a Espanha. No mundo em que vivemos, perder tamanho é perder oportunidades. Ninguém foi capaz de calcular os custos e as incertezas de um processo de separação, com toda segurança excessivos, provavelmente insuportáveis.

Por outro lado, se a Catalunha se separar da Espanha, não deixariam de ser vizinhas. A Catalunha pode se separar da Espanha, mas não pode abandonar a península Ibérica. Como a Catalunha pode se beneficiar da separação, do afastamento traumático de seus vizinhos mais imediatos, que serão para sempre seus vizinhos e com os quais sempre convirá ter as melhores relações possíveis?

A secessão prejudicaria os cidadãos, uma grande maioria sofreria ao ver desgarrar-se suas identidades plurais e compartilhadas; obrigados a considerar como estrangeiros boa parte de seus concidadãos, de repente muitos deveriam considerar como estranhas coisas que lhes eram próprias.

E, além disso, a secessão prejudicaria também a integração europeia. Além da evidência de que pelo menos por algum tempo a Catalunha ficaria fora da União Europeia, a fratura de um país membro da UE colocaria interrogações sobre o próprio funcionamento da União, suas relações com o que a partir de então seria um terceiro país e sobre o risco de incentivar processos semelhantes em outros países membros.

A secessão criaria mais problemas do que os que pretende resolver. Diante disso, cabe buscar outras respostas. Soluções que passam necessariamente pelo diálogo, a negociação e o pacto, elementos definidores do federalismo.