OPINIÃO
12/06/2014 09:11 -03 | Atualizado 05/12/2017 12:14 -02

Quem tem medo de se apaixonar outra vez?

Hoje deu vontade de dizer que se eu consegui perder esse medo, você vai conseguir também. Nem precisa ter pressa, muito menos achar que qualquer bom dia é cantada e que qualquer cutucada é pedido de namoro.

Das dores que a gente carrega na vida, muitas delas doem porque alguém fez doer. É o amor mal resolvido, aquele caso que a gente sabe que, no fim das contas, fez doer o coração. É a promessa que não foi cumprida, a mentira que a gente descobriu quase que sem querer, os desencontros que se tornaram, sem vontade alguma, tão-somente desamor.

É aí que a gente se parte em dois e faz um acordo consigo mesmo, se fechando pra balanço e deixando bem claro, a quem possa interessar, que não tem mais jeito, um beijo e um abraço pra essa coisa de se apaixonar. Parecia bom, né? Sentir friozinho na barriga, fechar os olhos e acordar rapidinho só pra ter certeza de que nada, absolutamente nada, era um sonho bobo que logo deixaria de existir.

Acho que dói desaprender a amar. Você se ver sem chão e sem rumo, beirando aos nãos que a vida te dá e aos sims que a gente sabe não valer a pena. E sobre valer a pena, quase um ensaio: vale a pena sair de casa se os caras não querem nada com nada? Vale a pena trocar meu filme sábado à noite por um número desconhecido querendo só transar? Vale a pena ser objeto quando sempre fui alguém esperando por quem no fundo valha a pena? Se a pena valer, me chame, mas por enquanto o conforto da minha cama só perde para férias no Caribe com acompanhante: posso chamar minha mãe?

Entra ano, sai ano e, religiosamente, você se recusa a abrir o Facebook a cada dia 12 de junho. Se é só mais uma data capitalista, pouco importa: é o dia certo para o mundo jogar na sua cara que amar é bom, que amor faz bem e que só pode amar quem é amado também. Declarações às bicas e, cá entre nós, dá até vontade de tentar aprender, de novo, a amar outra vez.

Depois de tantas desilusões, não adianta prometer que ano que vem vai ser diferente. Afinal, você nunca desaprendeu a amar e aquele papo furado de não dar certo com ninguém, confesse, nem cola mais. Se neste dia dos namorados você está sozinho, agradeça: você vai ter a chance de estar pertinho da sua melhor companhia: a melhor versão de você mesmo.

E aí você descobre qual é a graça da vida. Porque quando a gente menos espera, acaba se esquecendo dessas promessas de não se apaixonar de novo e perde o medo de mergulhar fundo, de dar a volta ao mundo por alguém que sabe, de um jeito tão único e especial, arrancar um sorriso nosso a qualquer hora do dia, mesmo quando a gente acha que nem tem motivo pra sorrir.

Hoje deu vontade de dizer que se eu consegui perder esse medo, você vai conseguir também. Nem precisa ter pressa, muito menos achar que qualquer bom dia é cantada e que qualquer cutucada é pedido de namoro.

Assim o amor chega. E arrebata. Sem régua que meça, sem balança que pese e sem dizer quando e o quanto chega para, por fim, ficar.

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