OPINIÃO
05/08/2014 10:49 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Eu preciso largar tudo pra ser feliz?

Quantas vezes você abriu mão de algo que por muito tempo jurou ser uma meta de vida? Por que não investir numa vontade, por mais maluca e surreal que ela possa parecer?

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Quantas vezes você abriu mão de algo que por muito tempo jurou ser uma meta de vida? O curso de gastronomia que você contava aos quatro ventos que iria se matricular, a viagem sabática pra espairecer e chegar ao mais perto possível do que se imagina ser paz interior, a faculdade de oceanografia, mesmo com sua mãe implorando por mais um médico - "dessa vez otorrino, por favor" - na família.

Não sei o que passa pela tua cabeça, nem se o caminho que hoje você trilha é, de fato, o que te faz feliz. Mas tenho certeza de que, dos planos que a gente traça, uma boa parte se perde por aí, embora eles continuem morando para todo o sempre dentro da gente - e ensaiando timidamente algum momento ideal de se tornarem reais.

Parece um tanto arriscado largar tudo por conta de um sonho, né? A gente tá cansado de ler que o executivo da multinacional deixou tudo pra trás em troca de uma casa na praia e uns colares de coquinho, ou que, aos 60 anos, a avó carismática resolveu dar a volta ao mundo largando as agulhas de crochê e as pinturas nos paninhos de prato. Se eles estão realmente contentes por abandonarem uma vida em troca de outra, não cabe a gente o julgamento.

Mas e você, como anda sua vontade de mudar seu mundo? Tá feliz no emprego? A faculdade é cansativa, mas o cansaço é combustível pra alegria? A cidade em que você mora respira no mesmo ritmo que o seu? E, vai saber, seu apartamento tem aquela mesa amarela de jantar que você tanto se imaginou comendo risotto de mignon?

Não adianta, eu sei que parte de nós sempre cultivará alguma insatisfação, mas por que não investir numa vontade, por mais maluca e surreal que ela possa parecer? De vez em sempre, minha amiga me chama pra conversar: sei que haverá uma enxurrada de lamentações, nossa amizade é quase um muro em que a gente se ajoelha e cospe tudo que tá engasgado, com o perdão do vômito que se mantém na dele. Queremos ser ricos e, ao mesmo tempo, trabalhar com o que mais amamos no mundo. Seria uma equação tão complicada de se resolver? Ajuda humanitária na África + pasteizinhos de carne num bistrô bacana = milhares de reais na minha conta bancária.

Tá, você já sabe que não é bem assim, mas... Como solucionar tudo isso? Será que o caminho da felicidade é tão inatingível assim e só executivos de multinacionais ou velhinhas substancialmente aposentadas têm alvará pra ser contentes em tempo integral?

Chega de perguntas, vamos às respostas. Sabe, cheguei à conclusão de que ninguém precisa ser extremista. A gente tem vinte ou trinta e poucos anos - tá, se você tem quarenta, cinquenta ou sessenta e poucos também tem todo direito de se identificar com isso aqui - e ainda falta muito a percorrer até alcançar algo concreto ou palpável. Onde já se viu ter um apartamento quitado aos 22 ou uma casa de campo em Petrópolis aos 31? Aos poucos que conseguem, o papo não chegou até vocês: tô falando com quem tá na mesma que eu e quer desafogar, desabafar, desfibrilar e, é claro, desfilar sorrisos a torto e a direito com a vida que se tem.

Aí, meu caro, vou te contar uma história rapidinha. Meu amigo é um administrador bem sucedido, salário bacana, daqueles empregos que a gente viaja pra cima e pra baixo pra cuidar sabe Deus do quê. E, o melhor, não precisou largar tudo pra tentar a sorte e ganhar, de vez, o convite dourado da felicidade. Ele curte cozinhar, tem um tempinho sobrando, ama açúcar e tem afinidade com a batedeira... Nada mais justo que começar a vender seus próprios bolos, não é?

E você, já abriu sua videolocadora, mesmo em tempos de Netflix, só pra dar dicas de filmes? Reivindicou seu espaço na feirinha de domingo pra expor seu patchwork? Finalmente se inscreveu no curso de sommeliers pra sacar a diferença entre moscato e pinotage? Não é necessário largar as 40h semanais que pagam tuas contas... O que não pode é deixar de vender seu bolo e dar o bolo num sonho que, vai saber, pode fazer de você o contemplado a descobrir que ser feliz nem é tão difícil. Mas que felicidade anda lado a lado com a coragem.

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