OPINIÃO
25/02/2016 11:25 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Vida e obra do diretor Luiz Sergio Person é tema de exposição em São Paulo

Considerado seu trabalho preferido, pelo apurado nível técnico e dramático, "O Caso dos Irmãos Naves", filme de 1967, cujas cenas estão em exibição constante na Ocupação Person, mostra sua atualidade e força: é impossível não olhar para as telas quando os irmãos Naves (Raul Cortez e Juca de Oliveira) surgem no quadro e denunciam as atrocidades cometidas por um Estado que cava buracos em corpos para jogar suas culpas. A mostra, que marca os 40 anos de morte e 80 anos de nascimento do cineasta brasileiro Luiz Person, fica em cartaz até abril no Itaú Cultural, em São Paulo.

Luiz Sergio Person. Crédito: Acervo Família Person

Considerado seu trabalho preferido, pelo apurado nível técnico e dramático, "O Caso dos Irmãos Naves", filme de 1967, cujas cenas estão em exibição constante na Ocupação Person, mostra sua atualidade e força: é impossível não olhar para as telas quando os irmãos Naves (Raul Cortez e Juca de Oliveira) surgem no quadro e denunciam as atrocidades cometidas por um Estado que cava buracos em corpos para jogar suas culpas. A mostra, que marca os 40 anos de morte e 80 anos de nascimento do cineasta brasileiro Luiz Person, fica em cartaz até abril no Itaú Cultural, em São Paulo.

Assim como em outras edições do projeto Ocupação, a exposição tem como objetivo proporcionar um mergulho na vida de uma personalidade relevante para a cultura brasileira. A versatilidade e a intensidade de atuação de Luiz Sergio Person (1936-1976) tanto no cinema como no teatro e na publicidade são materializadas em cartazes de filmes, centenas de fotografias, prêmios recebidos, correspondências e a primeira edição da Revista Sequência, criada por ele em 1956, da qual só existe um número.

Já na década de 1960, Person dirigiu dois longas-metragens que estão entre os maiores filmes da história do cinema nacional: "São Paulo Sociedade Anônima" (1965) e "O Caso dos Irmãos Naves". Se o primeiro tem como protagonista a própria capital paulista, em ebulição com o acelerado processo de industrialização, o segundo, por sua vez, reproduz a tragédia verídica de dois irmãos que, injustamente acusados de assassinato, foram presos e torturados em Araguari, Minas Gerais, durante a Era Vargas.

Estas obras cinematográficas são uma das partes de sua vida que ganham mais relevância na mostra. Da história dos irmãos, encontramos uma parcela do processo de criação, desde o livro que inspirou o filme, as reportagens publicadas sobre o caso, o caderno de anotações do cineasta, além do roteiro. Aliás, um dos pontos altos da exposição, é a apresentação de fac-símiles, como os de documentos com anotações do próprio punho de Person e uma entrevista concedida ao semanário O Pasquim.

Além de apresentar o processo de criação desses e de outros trabalhos, a exposição aborda a carreira do artista no teatro: em 1973, Person fundou o Auditório Augusta, casa de espetáculos que se tornou referencial na cena paulista. Foi lá que ele encenou, entre outras peças, "Orquestra de Senhoritas", na década de 1970.

O mergulho, então, é completo. Mas será que somos apenas aquilo que realizamos? E o que, por algum empecilho, deixamos ao caminhar? O roteiro de "A Hora dos Ruminantes", por exemplo, adaptado do romance homônimo de José J. Veiga e escrito pelo cineasta em parceria com o crítico de cinema Jean-Claude Bernardet, nunca foi levado às telas, mas está presente na exposição.

Aliás, qual era a fonte em que bebia Person? Com curadoria compartilhada entre Regina Jehá, companheira do cineasta, as filhas Domingas e Marina Person e o Itaú Cultural, a mostra também dá uma atenção especial para as influências que o cineasta carregava em seus trabalhos. Destaque para o painel com várias das obras usadas pelo artista como referência.

A expografia é assinada pelo diretor de arte Valdy Lopes Jn, o mesmo responsável pelo espaço expositivo das ocupações de Zuzu Angel e de Nelson Rodrigues. Memórias e sons que compuseram os breves e intensos 39 anos vividos por Person completam o espaço repleto de mesas, prateleiras e vitrines. Paulista nascido em 1936, Luiz Person morreu precocemente em um acidente automobilístico, no dia 7 de janeiro de 1976.

Por fim, a Ocupação traz também uma intensa programação paralela, que inclui apresentações de peças adaptadas por ele, ciclo de filmes que dirigiu e oficinas relacionados ao seu universo.

Ocupação Person

Até 3 de abril

Horários: terça a sexta, das 9h às 20h [permanência até as 20h30]

sábado, domingo e feriado, das 11h às 20h

Entrada gratuita