OPINIÃO
22/04/2015 16:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

'Cine Imigrante' traz filmes nigerianos inéditos no País

Com o intuito de discutir sobre as dificuldades e demandas dos imigrantes que vivem em São Paulo, o Cine Olido cria o "Cine Imigrante". Embora a iniciativa abarque longas de diversas nacionalidades que constituem comunidades na cidade, como o Peru, o Haiti e a Bolívia, a primeira edição do projeto, que estreia nesta semana, traz duas obras nigerianas inéditas no Brasil.

Cena do filme "Meio Sol Amarelo", baseado no livro homônimo da escritora Chimamanda Ngozi Adichie

No último domingo, um naufrágio de uma embarcação que seguia da Líbia à costa italiana deixou ao menos 800 mortos. No dia 12 de abril, 400 pessoas desapareceram no mesmo mar Mediterrâneo. Como a imprensa, para debater determinado assunto, parece seguir a maré, algumas questões começam a ser colocadas. Paco Nadal, do blog "El Viajero", perguntou: "E se fosse '700 europeus mortos em um cruzeiro que afundou em Malta'?". Ainda podemos lembrar de 2014, quando a mesma imprensa acordou assustada com a chegada de imigrantes haitianos em São Paulo. Foi um rebuliço. Só pareciam ignorar o fluxo de dezenas de pessoas por dia que já cruzavam a fronteira entre o Peru e o Acre desde 2010.

Com o intuito de discutir sobre as dificuldades e demandas dos imigrantes que vivem em São Paulo, o Cine Olido cria o "Cine Imigrante". Embora a iniciativa abarque longas de diversas nacionalidades que constituem comunidades na cidade, como o Peru, o Haiti e a Bolívia, a primeira edição do projeto, que estreia nesta semana, traz duas obras nigerianas inéditas no Brasil.

Entre os dias 24 e 30 de abril, "Meio Sol Amarelo" (de Biyi Bandele), que retrata a guerra civil ocorrida na Nigéria entre 1967 e 1970, e "Homem Caído" (de Akin Omotoso), inspirado na onda de ataques xenófobos que ocorreu na África do Sul em 2008, serão exibidos no espaço. Os eventos resultaram no assassinato de Ernesto Nhamuave, cuja imagem sendo queimado até a morte chocou o mundo.

O projeto, que também prevê a apresentação de filmes nacionais, quer estimular o debate com o público, trazendo ativistas, artistas e imigrantes. Após a primeira sessão de "Meio Sol Amarelo", baseado no livro homônimo da escritora Chimamanda Ngozi Adichie, Marcelo Haydu, diretor do Adus - Instituto de Reintegração do Refugiado, abordará a questão do refúgio, com foco na diversidade cultural que os refugiados trazem para o país.

Exibido nos festivais de Toronto e Berlim, "Homem Caído" é dirigido por Akin Omotoso, conhecido pelo trabalho como ator nos filmes "Diamante de Sangue" e "O Senhor das Armas". Lançado em 2011, o longa conta a história de Ade, um bancário que, em uma viagem para a África do Sul, descobre que o seu meio-irmão, um expatriado nigeriano como ele, está desaparecido há sete dias.

Os ingressos custam R$ 1.

Programação

MEIO SOL AMARELO (Half of a yellow sun)

Dirigido por Biyi Bandele. Nigéria/Reino Unido, 2013, 106min.

Com Chiwetel Ejiofor, Thandie Newton, Anika Noni Rose.

Dias 24 e 30, 19h.

Dias 25, 28 e 29, 17h.

Dias 26 e 30, 15h.

HOMEM CAÍDO (Man on ground)

Dirigido por Akin Omotoso. Nigéria/ África do Sul, 2011, 85min.

Com Hakeem Kae-Kazim, Fana Mokoena, Fabian Adeoye.

Dias 25, 28 e 29, 15h e 19h.

Dia 30, 17h.

Serviço

Galeria Olido.

Av. São João, 473. Próximo das estações República, Anhangabaú e São Bento do metrô. Centro.

De 24 a 30/4.

Classificação: 14 anos.