Opinião

Vantagens e possibilidades do congelamento de gametas e embriões

Com os avanços científicos, óvulos, espermatozoides, embriões e tecidos reprodutivos são congelados em nitrogênio líquido à -196°C, em aproximadamente três segundos.
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A vitrificação de gametas e embriões é a solução para muitos casais que se deparam com a infertilidade. Esse congelamento rápido de células reprodutivas pode resolver alguns problemas em casos especiais e facilitar a vida de muitas pessoas que, sem a técnica, jamais conseguiriam ter filhos ou, até mesmo, pretendem adiar a gravidez em alguns anos.

Os primeiros métodos de congelamento eram experimentais, demorados e poderiam destruir essas células pela formação de cristais de água em suas estruturas. Com os avanços científicos, no entanto, ocorreu uma sofisticação da técnica, que passou a congelar óvulos, espermatozoides, embriões e tecidos reprodutivos em nitrogênio líquido à -196°C, em aproximadamente três segundos - incrivelmente mais rápido que os 180 minutos da antiga forma de congelamento.

A vitrificação, como ficou conhecida, não permite a formação de cristais de água dentro das células e já existem estudos que comprovam a sobrevivência de 95% delas quando submetidas ao processo. Esses fatores fazem com que o congelamento rápido seja adotado pelas clínicas de reprodução assistida. A técnica deixou de ser algo experimental e tornou-se uma realidade para muitos pacientes que querem e pensam em ter filhos.

Preservação da fertilidade

A infertilidade é uma doença que pode ser prevenida, e a vitrificação é uma alternativa para isso. Mulheres que possuem histórico de menopausa precoce na família e ainda pretendem ter filhos devem ficar atentas com o problema, uma vez que, em alguns casos, os óvulos se esgotam completamente antes dos 40 anos. Congelar os óvulos é, então, uma interessante medida.

A vitrificação também é necessária antes do início de um tratamento oncológico. A quimioterapia e radioterapia podem debilitar as funções reprodutivas por atingirem as células que dão origem a óvulos e espermatozoides. Por esse razão, quando há um diagnosticado de câncer, o paciente deve ser informado pelo oncologista de que o tratamento contra a doença pode causar infertilidade e de que, se há o desejo de ter filhos futuramente, congelar essas células (e a depender da urgência para o início do tratamento, congelar um fragmento dos tecidos reprodutivos) é recomendável.

Cada vez mais frequente é a adesão de mulheres ao congelamento de óvulos, uma vez que a maioria delas prioriza a estabilidade na carreira e outros projetos pessoais antes da maternidade. Como as funções reprodutivas começam a entrar em declínio acentuado a partir dos 35 anos, e a plenitude profissional geralmente é atingida aos 40 anos, pode ficar tarde demais para ser mãe naturalmente.

Engravidar após os 40 anos é possível, sim, mas é um privilégio de poucas. É importante saber sobre a baixa significativa na quantidade de óvulos e, ainda mais importante, sobre a qualidade dessas células após essa faixa etária. Se há o desejo de ser mãe, ponderar sobre o congelamento é quase que essencial.

Sobrou e agora?

Vitrificar células pode ser uma forma de garantir a fertilidade, mas, quando o objetivo é alcançado e o tão desejado filho já é uma realidade, os óvulos e espermatozoides que ficaram congelados podem ser descartados ou doados para outros casais. Diferentemente dos gametas, que são apenas células, os embriões envolvem questões éticas e só podem ser autorizados para descarte a partir de cinco anos congelados, conforme as regras do Conselho Federal de Medicina (CFM). Antes desse período, somente é possível doá-los também a casais que precisem ou então autorizá-los para pesquisas científicas.

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