OPINIÃO
27/04/2015 17:37 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Precisamos falar sobre oncofertilidade

Evidentemente, o câncer é uma doença grave e sua cura deve ser a prioridade, mas o ponto importante é que o paciente saiba que há uma opção para aumentar as chances de ter uma família no futuro. Muitas vezes, o tratamento é realizado e o paciente só fica sabendo das consequências à fertilidade após superar a doença, quando tenta ter um filho. A medicina reprodutiva é uma alternativa segura para estas pessoas, antes ou depois do início do tratamento do câncer.

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Nas últimas décadas, os tratamentos de câncer evoluíram bastante e, consequentemente, o número de pessoas que superam a doença cresceu. Estima-se que 90% a 95% dos pacientes diagnosticados em estágio inicial sobrevivam ao tratamento. A notícia é ótima e pôde ser comemorada no Dia Mundial de Combate ao Câncer, em 8 de abril, mas, mesmo para aquelas pessoas que vencem a doença, os tratamentos com quimioterapia e radioterapia podem ser bastante nocivos à saúde, por conta da radiação. A fertilidade pode ser afetada de forma irreversível.

Há alguns anos, o tema da oncofertilidade (a preservação de fertilidade em pacientes diagnosticados com câncer) não chegava nem a ser abordado em consultórios. A situação melhorou, porém ainda se encontra longe de um cenário ideal. Os pacientes submetidos aos tratamentos têm o direito de receber a orientação de que as chances de maternidade e paternidade após o tratamento podem ser baixas, quando não inexistentes, mas muitas vezes não recebem essa informação.

Evidentemente, o câncer é uma doença grave e sua cura deve ser a prioridade, mas o ponto importante é que o paciente saiba que há uma opção para aumentar as chances de ter uma família no futuro. Muitas vezes, o tratamento é realizado e o paciente só fica sabendo das consequências à fertilidade após superar a doença, quando tenta ter um filho. A medicina reprodutiva é uma alternativa segura para estas pessoas, antes ou depois do início do tratamento do câncer.

Como é feita a preservação?

Há opções seguras, com bons índices e bem estabelecidas, tanto para homens quanto para mulheres. Antes de tudo, uma detalhada avaliação médica sobre o estado de saúde do paciente é realizada, para analisar o quadro de câncer e também se existem doenças que possam comprometer os procedimentos e uma gestação futura.

Com esse diagnóstico, se escolhe o procedimento. A opção mais conhecida para os homens é o congelamento do sêmen, que ocorre de forma simples. Após masturbação, o sêmen é coletado e congelado. Ele pode ser utilizado muitos anos depois, já que não tem um "prazo de validade". Para as mulheres, o congelamento de óvulos é bastante seguro. A paciente tem a indução da ovulação com a retirada dos óvulos, que são congelados e podem ser utilizados posteriormente.

A preservação da fertilidade dá uma nova perspectiva ao futuro dos pacientes que enfrentam uma doença grave, e que, além disso, possui um estigma. Hoje, quem venceu o câncer pode seguir a vida, formar família e ter filhos. Esse tema precisa ser cada dia mais integrado à rotina médica.