OPINIÃO
26/06/2014 10:24 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Doação de óvulos no Brasil é permitida, mas consegui-los não é fácil

O resultado da consolidação de demandas pré-maternidade pode ser o que costumamos ver algumas vezes em clínicas de reprodução assistida: se seu sonho é gerar um filho e você está decidida a fazê-lo, a única possibilidade será através de um óvulo doado.

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A doação de óvulos é um procedimento importante para muitas mulheres com potencial fértil esgotado e que desejam realizar o sonho da maternidade. Essas pacientes não conseguem gerar um filho a partir das próprias células por razões como menopausa precoce, tratamentos oncológicos realizados sem que antes houvesse a preservação da fertilidade, e a famigerada e não menos decisiva passagem do tempo - que na biologia reprodutiva da mulher pode ter um peso esmagador.

As taxas de natalidade por idade materna têm se alterado, no Brasil e no mundo ocidental, por causa de valores que enfatizam a carreira e a estabilidade emocional como vantagens que permitiriam a essas mães uma criação mais paciente e atenta a seus filhos. A consolidação dessas demandas pré-maternidade, no entanto, costuma acontecer por volta dos 40 anos, idade reprodutivamente desfavorável pela baixa qualidade e quantidade de óvulos aproveitáveis à fertilização.

Nessas condições, o resultado pode ser o que costumamos ver algumas vezes em clínicas de reprodução assistida: se seu sonho é gerar um filho e você está decidida a fazê-lo, a única possibilidade será através de um óvulo doado.

A ovodoação ainda é proibida em países da Europa como Áustria, Alemanha, Croácia, Suíça e Noruega. Recentemente foi aprovada na Itália. Nos EUA, o comércio de óvulos é legalizado. No Brasil, apesar da proibição do comércio, a prática da doação é aprovada e regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), o que não exclui a dificuldade em conseguir a célula que servirá para a receptora finalmente engravidar.

Uma das formas para se conseguir é por doação compartilhada, na qual as clínicas especializadas propiciam acordos onde um casal ajuda o outro financeiramente e, ao final, dividem os óvulos produzidos. Outra forma é através da solidariedade. O problema desta última é o processo para recrutamento de óvulos que leva em torno de 10 a 15 dias e envolve alguns incômodos como injeções de hormônio, e isso certamente põe uma mulher solidária a pensar se realmente está disposta ao ato.

Outra questão não menos importante é se a doadora tem o perfil biológico parecido com o da receptora, por razões compreensíveis. Por aqui há uma grande dificuldade de mulheres orientais e caucasianas acharem óvulos com o mesmo perfil, já que biotipo brasileiro é de grande miscigenação.

Se todos esses desafios forem ultrapassados, o procedimento será levado adiante, com a fertilização do óvulo selecionado pelo espermatozoide do parceiro, ou igualmente doado, caso a mulher tenha optado pela maternidade independente. Como o CFM estipula que somente mulheres com até 35 anos podem doar óvulos, as taxas de gravidez por ovodoação costumam ser elevadas, justamente por serem jovens as células utilizadas.

Caso o procedimento para você pareça estranho, saiba que dá muita alegria a diversas mulheres que pelos motivos já mencionados tiveram ameaçada a maternidade - esse desejo ou vocação que para muitas é irremediável. Ainda assim, se planeja ser mãe tardiamente e gostaria de fazê-lo com os próprios óvulos, é importante desde já fazer exames que reflitam seus potenciais reprodutivos para que se saiba com margem de segurança até quando esperar a gravidez, e se por conta disso seria viável até mesmo o congelamento dos óvulos - que têm se mostrado uma boa solução em casos como esse.

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