OPINIÃO
11/11/2015 00:13 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Projeto pretende testar em laboratório alguns poderes da mente

O projeto de Gabriel consiste em reproduzir em laboratório, com algumas melhorias, os experimentos conduzidos pelo professor Dean Radin, do Institute of Noetic Sciences (IONS), nos Estados Unidos.

Tim Robberts via Getty Images
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Aos poucos, a ciência foi derrubando cada um dos deuses e demônios responsáveis pelos fenômenos até então desconhecidos e inexplicáveis. Mas aquilo que ainda hoje não se consegue formular a partir de unidades já aceitas e compreendidas por nossa limitada biologia continua sendo negado ou reservado a um campo "místico" do qual a ciência arrogantemente se distancia.

A consciência é um dos grandes exemplos da limitação das leis existentes: é um fenômeno que nenhuma teoria reducionista justifica. Nas últimas décadas, passamos a conhecer muito melhor o funcionamento do cérebro e o que acontece quando pensamos, desejamos ou sentimos, mas nenhuma dessas descobertas desconstrói o mistério da experiência subjetiva da consciência. Muitos acreditam que a uma compreensão melhor do universo exige a ampliação da lista de grandezas fundamentais - como a massa e o tempo. Não poderia a consciência ser mais uma delas - já que não conseguimos compreendê-la a partir de conceitos já conhecidos e dificilmente aceitá-la como mero produto da matéria, ou seja, de um conjunto de neurônios mergulhados em substâncias químicas?

Depois de estudar diversos campos da física - incluindo experiência no acelerador de partículas de CERN, na Suíça - e de se tornar um dos maiores divulgadores no Brasil da física quântica, o curitibano Gabriel Guerrer se lançou ao desafio de investigar esse mistério cientificamente. Seu projeto de pós-doutorado no Instituto de Psicologia da USP, em parceria com o Instituto de Física, propõe testar, em uma experiência inédita no Brasil, as relações da consciência com a matéria.

"Se o cérebro é consciência e é descrito pela física clássica, as trocas de informação entre seres humanos devem ser mediadas apenas por ondas sonoras, eletromagnéticas e vibrações", explica. No entanto, em seus cursos livres de física quântica ele vem colecionando experiências narradas pelo público que sugerem que as limitações da física clássica não são suficientes para explicar alguns fenômenos da consciência - como a telepatia, que já possui uma grande amplitude de dados coletados em laboratório que confirmam essa habilidade da mente.

O projeto de Gabriel consiste em reproduzir em laboratório, com algumas melhorias, os experimentos conduzidos pelo professor Dean Radin, do Institute of Noetic Sciences (IONS), nos Estados Unidos. O cientista americano elaborou uma forma de verificar a influência da mente sobre a matéria: convocou voluntários para tentar controlar ondas de luz. Sua conclusão, detalhada em três artigos, foi que não todos, mas alguns indivíduos - aqueles habituados a meditar e alguns músicos - têm a capacidade de influenciar a matéria a distância.

A versão brasileira da experiência, aprimorada e com respaldo científico de uma grande universidade, seria um importante passo da ciência na confirmação ou na refutação da controversa teoria de que a consciência seria um "campo de força fundamental". Nessa visão, o cérebro seria não o gerador, mas uma espécie de receptor da consciência.

Para a investigar a questão, no entanto, são necessários alguns equipamentos cujo financiamento foi negado por órgãos brasileiros de fomento à pesquisa sob a justificativa de não de enquadrar em suas prioridades. Para não desistir do projeto, Gabriel está contando com o apoio do público por meio de uma campanha de crowfunding. Precisa arrecadar o valor mínimo de R$ 48 mil até o final do mês e já tem cerca de metade desse valor.

O financiamento coletivo, diante da escassez de verba pública para a cultura e a ciência, é muitas vezes a única forma de viabilizar importantes projetos científicos e culturais. Assista ao vídeo da campanha de Gabriel e saiba como pode colaborar com o projeto.

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