OPINIÃO
08/08/2014 18:15 -03 | Atualizado 31/10/2017 09:22 -02

O cérebro do pai

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Pesquisa publicada em julho demostra que a paternidade provoca alterações na estrutura cerebral do homem.

Certas experiências produzem no cérebro o mesmo efeito de uma droga. São aquelas que produzem fortes emoções, elevando o nível de determinados neurotransmissores que nos preparam para atravessar melhor as situações que desencadeiam esses sentimentos. Conhecidas pelos entusiasmados por esportes radicais, a adrenalina e a noradrenalina são liberadas em maior quantidade quando precisamos de atenção dobrada, maior força muscular e agilidade. Outras emoções pedem respostas bem diferentes do organismo, como a paixão e a maternidade - ou paternidade. Para lidarmos com essas, o cérebro produz mais dopamina e ocitocina.

Conhecida como hormônio do amor, a ocitocina ganhou a nobre função de formar os vínculos afetivos que permitem a composição da estrutura familiar e os cuidados com a prole. Nos humanos, assim como em raras espécies animais monogâmicas, os receptores dessa substância estão mais presentes no circuito de recompensa do cérebro.

Fundamental na amamentação, a ocitocina produzida em altos níveis depois do parto explica, sob o ponto de vista biológico, o instinto de cuidado e também a serenidade das mamães. Até recentemente, acreditava-se que o auxílio da natureza na criação do bebê era um privilégio materno. Novas pesquisas, no entanto, mostram que o vínculo entre pais e filhos também encontra fundamentação neurológica.

Diferentes estudos realizados ao longo dos últimos anos mostraram que os níveis de ocitocina no plasma (a molécula é liberada diretamente no sangue) dos pais também aumentam significativamente após o nascimento. Agora, uma equipe do departamento de psicologia da Universidade de Denver demostrou que a paternidade também provoca alterações na estrutura cerebral dos papais.

Em um estudo publicado em julho deste ano, foi constatado que em 12 semanas de convívio com seu bebê os homens apresentam aumento de massa cinzenta em determinadas áreas do cérebro ligadas à nova responsabilidade. Os pesquisadores comprovaram que, assim como as mulheres, os pais têm aumento de volume em regiões como o córtex pré-frontal lateral (tomada de decisão), amígdala e córtex cingulado anterior (processamento de emoções) e hipotálamo (controle hormonal).

Outra descoberta relacionada à mudança de comportamento dos novos papais foi a redução da massa cinzenta no córtex orbito frontal e insula esquerda, relacionadas à ansiedade. Assim, a sábia natureza facilita que o comportamento paterno seja ajustado de acordo com o que é mais conveniente ao bebê: um cuidador responsável, apto a tomar decisões sem a interferência da ansiedade. O nascimento do filho não revoluciona apenas a rotina do casal. Transforma também a forma de pensar, agir e sentir tanto da mãe quanto do pai.

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